Quem circula pelas ruas do Recife, como aconteceu em cinco das músicas
especialmente nas periferias, já deve ter analisadas. Entre elas, apenas uma era
visto pelo menos um grupo de jovens interpretada somente por uma mulher, “Se
fazendo coreografias ao som de hits do eu engravidar a culpa é sua não é minha”
brega-funk. Na dança, esse fenômeno, por MC Lucy.
espécie de subgênero do brega, é
marcado pelos movimentação dos braços
e da virilha, acompanhado por um tom
irreverente e por vezes sexual. Mas, e na
música, como fica essa questão?
Analisando um total de 126 letras, foram
identificadas menções ao ato sexual em
58 delas. Apesar de serem números
expressivos quando comparados aos
demais gêneros analisados, é notável
uma certa dualidade nas palavras e
expressões empregadas. Isso porque
termos como sarrada, quicada e pentada
podem servir tanto como uma referência
ao ato sexual, quanto serem
simplesmente menções aos nomes dos
principais movimentos coreografados.
No Brega, a participação das mulheres é
mínima e quase sempre aparecem em
parceria com algum MC,
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“O brega faz parte de um sistema de
representação do sexo nas músicas
populares, que são representações
muito coloquiais, de forma muito
simples, com poucas metáforas. De
fato, dentro de alguns gêneros do
brega, como o brega funk, existe
uma relação muito próxima da noção
de coito. Se a gente pensar todo o
gestual e os movimentos do brega
funk e do passinho dos malokas há
um sistema de representação que
evoca uma ideia de coito, então é, ao
mesmo tempo, uma relação muito
marcada por uma performance de
heterosexualidade do sexo"
Thiago Soares, pesquisador do Programa de Pós-
graduação em Comunicação (PPGCOM) - UFPE e
autor do livro “Ninguém é perfeito e a vida é assim: A
música brega em Pernambuco” (2017)