REVISTA PENTE Jun.2019 | Page 26

Quem circula pelas ruas do Recife, como aconteceu em cinco das músicas especialmente nas periferias, já deve ter analisadas. Entre elas, apenas uma era visto pelo menos um grupo de jovens interpretada somente por uma mulher, “Se fazendo coreografias ao som de hits do eu engravidar a culpa é sua não é minha” brega-funk. Na dança, esse fenômeno, por MC Lucy. espécie de subgênero do brega, é marcado pelos movimentação dos braços e da virilha, acompanhado por um tom irreverente e por vezes sexual. Mas, e na música, como fica essa questão? Analisando um total de 126 letras, foram identificadas menções ao ato sexual em 58 delas. Apesar de serem números expressivos quando comparados aos demais gêneros analisados, é notável uma certa dualidade nas palavras e expressões empregadas. Isso porque termos como sarrada, quicada e pentada podem servir tanto como uma referência ao ato sexual, quanto serem simplesmente menções aos nomes dos principais movimentos coreografados. No Brega, a participação das mulheres é mínima e quase sempre aparecem em parceria com algum MC, 24 “O brega faz parte de um sistema de representação do sexo nas músicas populares, que são representações muito coloquiais, de forma muito simples, com poucas metáforas. De fato, dentro de alguns gêneros do brega, como o brega funk, existe uma relação muito próxima da noção de coito. Se a gente pensar todo o gestual e os movimentos do brega funk e do passinho dos malokas há um sistema de representação que evoca uma ideia de coito, então é, ao mesmo tempo, uma relação muito marcada por uma performance de heterosexualidade do sexo" Thiago Soares, pesquisador do Programa de Pós- graduação em Comunicação (PPGCOM) - UFPE e autor do livro “Ninguém é perfeito e a vida é assim: A música brega em Pernambuco” (2017)