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CELEBRAÇÃO DO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE VERGÍLIO FERREIRA( 1916-2016)

O ESPÍRITO DA TERRA E OS CAMINHOS DA ESCRITA

Jorge Costa Lopes
Vergílio Ferreira nasceu a 28 de janeiro de 1916, às três horas da tarde de uma sexta-feira, como o narrador-protagonista de Alegria Breve( 1965). Em ano de centenário do seu nascimento, o Município de Gouveia elaborou um programa comemorativo que começou a 28 de janeiro de 2016 e se encerrará, um ano depois, precisamente a 28 de janeiro de 2017. Desta forma, estamos perante uma grande celebração de um escritor que é, sem dúvida, dos mais relevantes da literatura e do pensamento de língua portuguesa e que fez de uma aldeia do concelho de Gouveia, Melo, conjuntamente com a montanha que daí se avista, o centro da sua vasta obra ficcional.“ Espírito da terra”,“ Chão da minha origem”,“ Espaço da alegria”,“ Aldeia eterna”,“ Aldeia mito”,“ Terra mãe”,“ Terra da minha segurança”, assim se refere o autor de Mudança a este espaço genesíaco nas suas páginas.
As comemorações do Centenário de Nascimento de Vergílio Ferreira tiveram início, como dissemos, no dia 28 de janeiro, com a apresentação de um inteiro postal e uma palestra de Francisco José Viegas no Agrupamento de Escolas de Gouveia, prosseguindo, no dia seguinte, com a reposição do busto na Praça de São Pedro, da autoria de Fernando Fonseca, e a inauguração da Exposição“ Vergílio Ferreira: Os Caminhos da Escrita ou O Fascínio da Arte”, no Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta. A mesma foi construída em torno da escrita circular de alguns dos principais títulos do romance-problema vergiliano e pretendeu provocar o visitante de modo a percorrê-la como se viajasse pelo interior de um livro imaginário sobre a vida e a obra do autor de Aparição. A Exposição teve o apoio da BMVFG – Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira de Gouveia e da BNP – Biblioteca Nacional de Portugal, para além da colaboração de Virgílio Kasprzykowski, Filomena Rodrigues, Helder Almeida e Catarina Santos. Ao disponibilizar documentos e objetos da sua coleção particular, Filomena Rodrigues contribuiu ainda, de uma forma especial, para a importância dos materiais que o público pôde apreciar nesta Exposição.
COLÓQUIO VERGÍLIO FERREIRA
Na manhã de 30 de janeiro, o auditório da BMVFG foi palco de uma tertúlia, transmitida em direto no programa“ Terra-a-Terra” da TSF, conduzido por Fernando Alves. De tarde realizou-se o Colóquio“ Vergílio Ferreira: Evocação, Evocações”, onde participaram Alípio de Melo, José Gameiro e Eduardo Pereira, numa mesa moderada por Fernanda Irene Fonseca. A encerrar este grande momento de festa e celebração da arte literária e do pensamento vergilianos, estreou em Gouveia, no Teatro Cine, o monólogo“ Em memória ou a vida inteira dentro de mim”, interpretado por Pompeu José e baseado no romance Até ao Fim. O monólogo explora muito bem a narrativa fragmentada de Vergílio Ferreira, com o ator a conseguir transmitir a solidão e tragédia vividas pelo protagonista do referido romance, Cláudio, que dialoga, no presente
EXPOSIÇÃO VERGÍLIO FERREIRA