Superação em alto astral. Paulo Miklos espanta os males em 'A Gente Mora no Agora'.
Por Guilherme Urso
"Lembre-se: a vida precisa de uma certa tensão, mas somente uma certa tensão."
A frase de Sidarta Gautama, o Buda, serve para o álbum mais alto astral de 2017. Uma dose de inquietude e A Gente Mora no Agora de Paulo Miklos se tornou um honesto desejo de revitalização.
O cantor fez questão de utilizar o disco para exorcisar seus mais profundos sofrimentos. Em um período de quatro anos, o músico perdeu a esposa e os pais, bem como anunciou sua saída do Titãs em julho de 2016.
Para a realização da obra, Miklos contou com a ajuda de 13 renomados compositores brasileiros, dentre eles, o rapper Emicida, os amigos de longa data Nando Reis e Arnaldo Antunes, as cantoras Céu, Mallu Magalhães, Lurdez da Luz e os notáveis Erasmo Carlos, Guilherme Arantes e Tim Bernardes.
Se a ideia era fazer um trabalho com brasilidade, ficou evidente nas primeiras faixas "A Lei Desse Troço" e "Vigia". A balada "Vou Te Encontrar" de Nando Reis e a folclórica "Princípio Ativo" da cantora Céu nos apresentam outro ponto forte: um instrumental impecável.
Mesmo que exista em algumas músicas a sensação de conflito entre harmonia e voz - de alguma forma elas não se encaixam perfeitamente - A Gente Mora no Agora é um bom disco que excita com sua festividade e aproxima Paulo Miklos a um público muito mais amplo do que ele tem.
A sensação é que "A Gente Mora no Agora"