Revista Meio Jogo ed 7 | Page 44

tentes à mudança), passava muito tempo na auto-sabotagem de ficar só estudando aberturas (“afinal, preciso fechar meu repertório!”) e “vendo partidas” de forma totalmente superficial. O que me tirou da estagnação e vem me ajudando muito foi simplesmente criar uma rotina de treinamentos focada em meus pontos fracos. O bom de fazer isso é que você nunca se acomoda, pois sempre há o que melhorar. Como Quintiliano e eu conversamos há umas semanas atrás, (e inclusive se aplica na vida),“quanto mais você evolui, mais você percebe que não sabe nada”. Explique um pouco da sua rotina. Como são seus treinamentos e preparação para torneios? Ultimamente dedico boa parte dos treinamentos à resolução de estudos e exercícios de cálculo, complementando com temas diferentes que defino como prioridades do momento. Antes de torneios faço uma revisão rápida das aberturas e tento focar na preparação física. Após o torneio analiso todas as partidas para identificar pontos de melhoria. Além disso, estou começando a trabalhar também como treinador, então busco separar boa parte do tempo para poder preparar conteúdos bons e relevantes para cada um de meus alunos. Se junta com outros jogadores para discutir partidas de xadrez? Sempre que possível, sim. A discussão de ideias que ocorre ao analisar partidas com mais pessoas, se bem conduzida pode ser muito agregadora. Qual faculdade você faz? Pretende exercer esta profissão algum dia? Curso Engenharia de Produção na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Por mais que engenharia de produção tenha hoje um mercado gigantesco, sinceramente ainda não sei se esta vai acabar sendo a minha profissão. Mas tenho certeza que todo o aprendizado adquirido na universidade, dentro e fora da sala de aula, será de grande valor para mim no futuro. 44 Revista Meio Jogo A que se deve seus últimos triunfos em torneios abertos? Além dos treinamentos estarem dando mais resultado, acredito que um fator psicológico vem me ajudando bastante. Sempre fui muito preso e obcecado pelo resultado das minhas partidas e pelo rating. Mas ultimamente venho aprendendo a importância de sempre se lembrar do quanto você gosta de jogar o jogo, tanto quanto gosta de ganhar. Tal consciência ajuda muito a aumentar a concentração e ter as atitudes mentais corretas durante as partidas. Com raras exceções, ninguém te obrigou a estar ali, jogando num domingo de sol enquanto poderia estar na piscina. Se você está lá é porque gosta e gosta muito, então vale a pena pensar um pouco menos em quantos pontos de rating vão embora se você perder para aquele “1900 que joga pra 2100 e tem uma abertura chata” e um pouco mais no quanto é legal jogar xadrez!  Qual a importância da sua família no seu crescimento enxadrístico? Essencial. Por um bom tempo eles foram um pouco resistentes, mas acho que passaram a ver com outros olhos depois que fui campeão brasileiro. Minha mãe dá o maior apoio, e às vezes até me surpreende. Naturalmente não costumo compartilhar muitas notícias com ela, mas já aconteceu dela descobrir torneios bons para jogar antes de mim, ou então me ligar dizendo “Parabéns! Vi que ganhou de fulano. Pesquisei aqui e vi que ele é bem forte.” Sem o apoio da família, imagino que as coisas sejam mais difíceis. E por mais que nossa condição financeira seja bem limitada e que normalmente eu tenha que jogar torneios com o dinheiro que ganho nos próprios torneios, ela sempre se esforça pra me ajudar nisso também quando preciso. Quais os objetivos para o futuro? Basicamente terminar a faculdade, começar a trabalhar fora do xadrez, conseguir uma estabilidade financeira e, se tudo der certo, conseguir ter meu próprio negócio. No xadrez, o objetivo por enquanto é