tentes à mudança), passava muito tempo
na auto-sabotagem de ficar só estudando
aberturas (“afinal, preciso fechar meu repertório!”) e “vendo partidas” de forma totalmente superficial. O que me tirou da
estagnação e vem me ajudando muito foi
simplesmente criar uma rotina de treinamentos focada em meus pontos fracos.
O bom de fazer isso é que você nunca se
acomoda, pois sempre há o que melhorar.
Como Quintiliano e eu conversamos há
umas semanas atrás, (e inclusive se aplica na vida),“quanto mais você evolui, mais
você percebe que não sabe nada”.
Explique um pouco da sua rotina.
Como são seus treinamentos e preparação para torneios?
Ultimamente dedico boa parte dos
treinamentos à resolução de estudos e
exercícios de cálculo, complementando
com temas diferentes que defino como
prioridades do momento. Antes de torneios faço uma revisão rápida das aberturas e tento focar na preparação física.
Após o torneio analiso todas as partidas
para identificar pontos de melhoria. Além
disso, estou começando a trabalhar também como treinador, então busco separar
boa parte do tempo para poder preparar
conteúdos bons e relevantes para cada um
de meus alunos.
Se junta com outros jogadores para
discutir partidas de xadrez?
Sempre que possível, sim. A discussão de ideias que ocorre ao analisar partidas com mais pessoas, se bem conduzida
pode ser muito agregadora.
Qual faculdade você faz? Pretende
exercer esta profissão algum dia?
Curso Engenharia de Produção na
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Por mais que engenharia de produção tenha hoje um mercado gigantesco,
sinceramente ainda não sei se esta vai
acabar sendo a minha profissão. Mas tenho certeza que todo o aprendizado adquirido na universidade, dentro e fora da sala
de aula, será de grande valor para mim no
futuro.
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Revista Meio Jogo
A que se deve seus últimos triunfos
em torneios abertos?
Além dos treinamentos estarem
dando mais resultado, acredito que um fator psicológico vem me ajudando bastante. Sempre fui muito preso e obcecado
pelo resultado das minhas partidas e pelo
rating. Mas ultimamente venho aprendendo a importância de sempre se lembrar do
quanto você gosta de jogar o jogo, tanto
quanto gosta de ganhar. Tal consciência
ajuda muito a aumentar a concentração e
ter as atitudes mentais corretas durante
as partidas.
Com raras exceções, ninguém te
obrigou a estar ali, jogando num domingo de sol enquanto poderia estar na piscina. Se você está lá é porque gosta e gosta
muito, então vale a pena pensar um pouco
menos em quantos pontos de rating vão
embora se você perder para aquele “1900
que joga pra 2100 e tem uma abertura
chata” e um pouco mais no quanto é legal
jogar xadrez!
Qual a importância da sua família no
seu crescimento enxadrístico?
Essencial. Por um bom tempo eles
foram um pouco resistentes, mas acho
que passaram a ver com outros olhos depois que fui campeão brasileiro. Minha
mãe dá o maior apoio, e às vezes até me
surpreende. Naturalmente não costumo
compartilhar muitas notícias com ela, mas
já aconteceu dela descobrir torneios bons
para jogar antes de mim, ou então me ligar dizendo “Parabéns! Vi que ganhou de
fulano. Pesquisei aqui e vi que ele é bem
forte.” Sem o apoio da família, imagino que
as coisas sejam mais difíceis. E por mais
que nossa condição financeira seja bem limitada e que normalmente eu tenha que
jogar torneios com o dinheiro que ganho
nos próprios torneios, ela sempre se esforça pra me ajudar nisso também quando
preciso.
Quais os objetivos para o futuro?
Basicamente terminar a faculdade,
começar a trabalhar fora do xadrez, conseguir uma estabilidade financeira e, se tudo
der certo, conseguir ter meu próprio negócio. No xadrez, o objetivo por enquanto é