Revista Líder Coach - Setembro - Novembro - 2019 Revista Líder Coach 14 11 2019 | Seite 24
CRIMINALIZAÇÃO
VERSUS
REGULAMENTAÇÃO DO
COACHING BRASILEIRO
MÁRCIO TADEU
O que não tem faltado nos últimos
tempos, são os embates calorosos
a respeito da criminalização – ou
regulamentação – da profi ssão
do Coach no Brasil. Segundo o
site da ICF – International Coach
Federation, já contamos, em
nosso país, com mais de 73 mil
profi ssionais atuantes no mercado.
O Coach movimenta, por ano, um
valor que chega aos 2,3 bilhões
de dólares em todo o mundo.
Foi no dia 15 de abril deste
ano que mais uma polêmica
envolvendo o assunto
desabrochou: foi publicada, no
portal e-Cidadania do Senado,
uma ideia legislativa que tinha
por objetivo criminalizar a prática
do Coach em nosso país.
De acordo com o cidadão William
Menezes, morador de Sergipe
e autor da proposta, caso fosse
aprovada, fi caria proibida a
atividade que, segundo ele,
estimula a propaganda enganosa
e desrespeita o trabalho científi co
e metódico de terapeutas e outros
profi ssionais de diversas áreas.
A ideia recebeu apoio popular
sufi ciente (com mais de 20.000
votos) para se tornar sugestão na
Comissão de Direitos Humanos
do Senado, e foi debatida em
audiência pública no começo de
setembro, tendo por resultado
a defesa da regulamentação,
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LÍDER COACH
formas de resolver suas questões
de maneira autossufi ciente!
contrária à proposta do cidadão.
Antes de tudo, vamos pontuar algumas
coisas a respeito do assunto.
Primeiramente, não estamos falando
de um profi ssional que presta
consultoria, aconselhamento ou
qualquer serviço ligado à terapia ou
atendimento psicológico. O serviço
do coach é, especifi camente, auxiliar
o cliente a atingir objetivos que
serão descobertos e aprimorados
ao longo de um processo, onde o
profi ssional da área trabalhará para
elaborar as perguntas corretas que
o próprio indivíduo deverá responder
ao longo de um determinado tempo.
Esse processo, o chamado
“coaching”, é desenvolvido com
sessões de conversa entre o
coach e o cliente (coachee).
Não é uma terapia.
Durante este período, as
perguntas serão pautadas no
“como” e não no “por que”.
O coach não busca diagnosticar um
desnível emocional ou um transtorno,
mas sim apresentar ao cliente as
Parece confuso, mas o fato é que
o indivíduo, por meio do serviço
do coaching, estará, ao fi nal do
processo, apto para responder
às suas próprias indagações a
respeito de inúmeras áreas de
sua vida e, com isso, encontrar
as soluções e oportunidades
dentro de si mesmo.
Vemos então, que estamos
tratando de uma abordagem
pragmática que visa o alcance de
objetivos que se distanciam de
um atendimento psicológico ou de
uma sessão de aconselhamento.
Durante o processo de coaching é
“proibido” tratar de assuntos que
envolvam traumas, disfunções, ou
qualquer outro tipo de doenças.
Os coaches se utilizam
de um método milenar e
histórico, criado pelo aclamado
fi lósofo grego, Sócrates.
A maiêutica socrática é a arte de
dar “luz” ao conhecimento por meio
de uma série de perguntas, para
que o próprio ser ao ser indagado,