Transdiciplinaridade: simplesmente vá além
Carla Mhoura Caruso
Em abril deste ano, a Exame publicou uma “lista de termos em inglês que estão na moda”. Dentre os listados, está a palavra transdisciplinarity. O texto afirma que o conceito não é novo, mas que tem sido muito citado como uma forma de vencer os desafios e que parte da ideia de que uma única disciplina, ou uma única área de conhecimento não é mais suficiente para resolver determinados problemas. E veja bem, não estamos falando de ter múltiplas formações ou de dominar informação de diferentes áreas, mas sim de uma abordagem organizada para a solução dos problemas mais complexos e adjacentes a diversas áreas do conhecimento que está acima das disciplinas em si.Uau!!!...e ...ufa!!!
Sou fadada a concordar com a afirmação porque sou um exemplo vivo disto. Nasci em uma família de classe média e filha de professores, herdei tal DNA. Ao buscar uma licenciatura em um idioma estrangeiro fui de encontro à minha vocação, atendi ao famoso “chamado”...Algum tempo depois finalizava o curso e cedia aos apelos de meu prático pai no intuito de buscar algo que: 1. pudesse “ser mais reconhecido do que esta profissão que não é valorizada” e 2. “garantisse real conforto”, segundo ele.
Anos depois estava eu graduada em Ciências Econômicas. Nos anos 80 posso afirmar que a transdisciplinaridade já estava lá. Quem era capaz de articular-se em Inglês com clareza certamente despontava para um lugar ao sol. Valeram-me os anos de cursinho e o tempo de monitora no Colégio Aplicação do Rio de Janeiro trouxe a veia da liderança latente e com pedagogia desenvolvida soube muito bem dobrar os “engravatados” do mercado financeiro. Afinal de contas, eu agora era um deles com a vantagem de uma visão expandida e com vários estudos de caso na bagagem apesar da pouca idade. Explico: descobri rapidamente que muitas situações muito do refletiam experimentos anteriores com meus alunos de 2º grau...Entendi que tal aprendizado era perfeitamente aplicável no cenário corporativo e me vali disso.
Décadas se foram e senti a necessidade de um MBA em Adminstração para trazer outros conceitos vinculados à estratégia e ao gerenciamento de projetos. Tempos depois uma enorme necessidade de saber gerir bem me levou a uma pós em “Gestão de Pessoas”. Até aí, o mundo corporativo parecia se conectar muito bem pois eu me tornei uma líder, depois uma boa gerente, cheguei a diretora e excelente coach.
Até deparar-me com o master desafio: meu prórprio EU. Se a trandisciplinaridade também significa sair da mesmice, da zona de conforto, do lugar comum eu teria de fazer mais por mim mesma. Após mais de 15 anos atuando no área financeira decidi migrar para novos desafios. E as pessoas me diziam: “você é louca”? , “começar novamente para que?”, “porque não fica onde está e sossega”?, “para que isso”?
Mas o tempo de aprendizado na marra está escasso e a realidade inevitável do mercado passou a ser a dos perfis multidisciplinares. Entraram no jogo gestores de projetos formados em administração, profissionais de mídia formados em psicologia, gerentes de pesquisa formados em análise de sistemas, dentre outros.
REVISTA LIDER COACH | Novembro | 44