REVISTA LÍDER COACH N 13 - Janeiro - 2019 - Ano VI | Page 36

REFORMA ÍNTIMA : A BUSCA DA AUTOCONSCIÊNCIA WANIA MORAES Como escrever sobre ética nesse momento tão difícil que estamos passando? Escuto muito a respeito e, ao mesmo tempo, vejo comportamentos e atitudes que refletem a antiética. Às vezes, percebo certa distância entre o que é ética para mim e o que é ética para o outro; minha atitude ética e a do outro. Vemos esses comportamentos a todo o momento, seja no trânsito, no supermercado, nas lojas, nas conversas e fico me perguntando por que será que deixamos de ter a disciplina Moral e Cívica nas escolas? Quais exemplos damos para nossas crianças quando avançamos um farol vermelho, ou quando estamos dirigindo e o condutor do carro de trás nos xinga porque esquecemos de sinalizar com a seta ou quando fazemos uma conversão proibida por não querermos nos atrasar dando uma volta? Isso tem a ver com a ética! Para mim, ética começa em casa, na formação que dou aos meus filhos, ensinando-os a serem verdadeiros quando fizerem algo errado; a assumirem uma postura de integridade interna, a se despirem do ego, orgulho ou vergonha por terem 36 feito algo errado e pedirem perdão. Gosto muito de uma frase que diz: “Suas atitudes falam tão alto que não consigo ouvir o que você me diz” (Ralph Waldo Emerson). Queremos ética, honestidade, respeito por parte dos políticos, das empresas, dos gestores, dos empresários. Mas me pergunto: Qual é a nossa contribuição individual para receber do outro um comportamento ético? O quanto eu estou sendo ético? Trabalhei no mundo corporativo durante trinta anos da minha vida e por mais que eu tenha visto várias ações sobre ética, também vi, em várias ocasiões, a antiética – e várias frases sendo usadas como desculpa: “Precisa ser feito desse ou daquele jeito. São as regras da empresa”. Seriam mesmo as regras da empresa? Ou será que, mesmo com elas, eu poderia agir de outra forma se essa ação ferisse meus valores? Vivemos no piloto automático, porque olhar e prestar atenção a cada atitude e comportamento nosso nos fará cansar e também sentir dor. Dor por não querermos fazer e porque lá no fundo da nossa alma sabemos não ser ético, mas, por uma questão de “sobrevivência”, acabamos fazendo. Que dor você sente, mas prefere ignorar para não precisar enxergar? Será que por não quererem mais se sentir assim, as pessoas estão buscando ser profissionais liberais, achando que estão se livrando destes entraves? Será que não percebem que seus comportamentos e atitudes continuam idênticos, mas com o detalhe de agora não há mais a figura da empresa para impedi- las de viver seus valores? Mas aí pensam: Se eu não fizer assim, o outro vai me dar uma rasteira ou vou ficar para trás ou estarei sendo ingênuo. Vamos prestar atenção ao que estamos fazendo com nossa vida. Há uma frase que considero com muita profundidade de Ermance Dufaux. Ela diz: “Não queremos ser quem fomos, mas ainda não somos quem queremos ser. Então quem somos?”. Vamos buscar nossa maturidade interna, que envolve ouvir nossa consciência em detrimento dos apelos do ego. Estar com saúde é estar em contato