REVISTA LÍDER COACH MAIO DE 2015 # 5 | Page 38

O bem mais precioso de uma empresa é o colaborador. O endomarketing (do grego endus, que significa para dentro), que é o marketing voltado para as ações dentro da empresa, tem como objetivo principal integrar as relações entre a empresa e seus colaboradores por meio de uma comunicação uniforme e que compartilha com todos a cultura empresarial. Para que isso seja alcançado é necessário que a gestão de pessoas da empresa trabalhe o bem-estar relacional dos colaboradores.

Em nossos trabalhos de consultoria nas empresas percebemos muitas reclamações: colaboradores que não executam o que é pedido, comunicação ineficaz, dificuldades no trabalho em equipe etc. Mas quero destacar uma reclamação em especial: o outro como sendo o causador de uma sobrecarga de trabalhos na empresa por não assumir plenamente a sua parte. Lembro-me de um diretor que atendi que reclamava sobre a sobrecarga de trabalhos que realizava. Com o discurso de que os colaboradores eram irresponsáveis acabava fazendo tudo visando a boa imagem da empresa para os de fora.

Depois de vários atendimentos percebi nesse diretor a seguinte estrutura: ele alimentava a situação que tanto reclamava. Como assim? Ele reclamava da sobrecarga do seu trabalho, mas não delegava, não distribuía as tarefas, não confiava tanto nos seus colaboradores. Quando o confrontei deste modo ele disse que se não fizesse assim, tudo iria por água abaixo. Diante disso, de duas uma: ou ele parava de reclamar e continuava fazendo o de sempre aguentando a situação ou adotava nova atitude distribuindo os trabalhos.

É incoerente quando uma pessoa reclama de algo e esta reclamação não a leva a uma nova ação. Muitas pessoas colocam nos outros a razão das suas dificuldades na empresa quando na verdade as razões estão nelas mesmas. Não estamos alimentando a razão das nossas reclamações no ambiente de trabalho?

Sigmund Freud (1856-1939), o Pai da Psicanálise, certa vez perguntou a uma paciente: “Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”. É quase impossível uma pessoa pensar na sua parcela de responsabilidade em algo que ao seu ver é de total responsabilidade do outro. Muitas vezes na empresa temos o famoso jogo do empurra: o pessoal do Recursos Humanos culpa o pessoal do almoxarifado, os motoristas da empresa culpam os diretores, as secretárias culpam os porteiros e com isso a empresa é prejudicada.

Quem mexeu no meu emprego? Em muitos momentos somos nós mesmos. E para desviar o foco de nós mesmos, usamos um conhecido mecanismo de defesa do ego que é a projeção. Na projeção o sujeito projeta num outro sujeito ou num objeto aspectos ou desejos que provém dele mesmo. Pense nisso e alimente-se do bem!

Qual a sua reflexão sobre reclamações?

Se o colaborador alimenta o que reclama no ambiente de trabalho, uma inversão perigosa pode acontecer caso não atente à sua situação: passa a reclamar de quem o alimenta. Ou seja, uma postura ingrata para com a empresa que paga o seu salário e que torna possível o pão de cada dia na mesa. Temos com isso um colaborador que faz mal ao ambiente de trabalho. É a laranja podre dentro do cesto. A equação é esta: alimentar o que reclama – reclamar de quem o alimenta.

ALIMENTANDO O QUE SE RECLAMA

Dr. Ricardo Baracho dos Anjos | Ph.D

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