IGUALDADE DE GÊNEROS
Fabrício Mendes
Não se pode negar que houve um esvaziamento de ideias quando o assunto é a respeito do tema igualdade de gêneros, ainda mais hoje em que o tema merece muito mais cautela devido à variedade de representações que se manifestam solicitando os seus devidos espaços que lhes é de direito.
Os discursos muitas vezes são sem sentido, não levando em conta uma série de fatores que implicam no comportamento de homens e mulheres de uma determinada sociedade. Evidentemente, este breve artigo não visa dar respostas aos temas cada vez mais complexos, mas sim contribuir com as análises feitas referentes ao tema em questão.
A cada momento novas leis e gritos de ordem são estabelecidas com objetivo de defesa das mulheres, já que elas precisam mais frequentemente da proteção do Estado, pois os homens estão cada vez mais cruéis e sem escrúpulos. Essa é realmente a nossa realidade atual? Ou não estamos conseguindo ser honestos o suficiente para tentar entender onde está a raiz de um possível problema? Somos tão politicamente corretos assim, a ponto de não querermos mexer em um passado que determina o nosso presente não tão louvável? Quais são os requisitos básicos para entendermos mais sobre nós? Ou estamos fadados a esquecer a nossa história, nosso começo? Quais são de fato os apontamentos possíveis para entendermos o nosso cotidiano e, possivelmente, o nosso futuro já que nos recusamos a encarar as nossas ações com sinceridade?
Quando falamos de Brasil é possível refletir sobre determinados acontecimentos, e aqui cito dois em questão: que é a Colonização e a religião oficial da época – obviamente refiro-me ao catolicismo. Sim, isto mesmo, é necessário levar em conta os dogmas da religião que regia e, ainda hoje, está viva e atuante em nosso inconsciente.
As formas de como ver uma mulher muitas vezes “coisificando-as”, ou seja, tornando-as coisas, objetos e não seres movidos pela força, vontade e ação, tem sim suas origens na religião, bem como também no campo da racionalidade temos uma má formação na educação tanto do indivíduo quanto ao coletivo. Esses exemplos podem e devem ser levados em consideração para que assim possamos entender melhor a nossa estória. Só dessa maneira poderemos deslumbrar uma expectativa mais promissora onde homens e mulheres reconhecerão os seus papéis sociais e o respeito mútuo na sua individualidade. Ou seja, se de fato nós homens e mulheres queremos desenvolver uma sociedade pacífica e igualitária. Teremos que nos desprender de velhos conceitos e com muita coragem, lutar para essa conquista que inclui todos.
Citando Epicuro, um filósofo grego do século (341 a.c), a qual afirma que “tudo o que é natural é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil”. Assim, termino essa breve e singela explanação com o coração cheio de esperança, mas como dizia Paulo Freire: “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar” de que um dia conseguiremos viver em uma sociedade não regida somente por leis, mas também sustentada pelo amor.
Acredito também que em um futuro muito breve, nós iremos ser declarados como humanos de fato, ultrapassaremos as barreiras que nos impedem de viver civilizadamente, não será o sexo, a cor da pele, ou bens materiais que nos faram melhor ou mais aceitos por um determinado grupo, mas sim o quanto de amor em nossos atos e ações desprenderemos em nossas vidas. Enquanto nós não conseguirmos amar todos pelo que são, deixaremos pelo menos a moral nos direcionar. Pois na falta do amor, a moral estabelece o agir.
REVISTA LIDER COACH | Julho | 12