Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 99

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 Porém o prazer fora de súbito interrompido ao interromper nossos suspiros de paixão pelo ruído dos homens obcecados com sexo que eram aqueles membros que adentravam o templo. Contrariada Roberta colocou a mão a tirar seu cabelo do rosto vestindo-se enquanto ia a varanda do quarto no hotel. Fintei o templo quando percebi que justamente os homens que havia visto naquele fatídico dia adentrava ao lado do suposto guru. Ao término de todos adentrarem o recinto as portas se fecharam. Tão logo retornei tomando duas cápsulas da infame droga. Deitei-me e agora me pegava com Roberta acariciando minha cabeça em tom de preocupação. Mas respirando fundo fechei os olhos não sem antes ela me dar um carinho e prolongado beijo de boa sorte. Tão logo adormeci o que não era difícil na agradável e confiável companhia dela. O que era sonho então parecia tornar-se real a perceber-me flutuando fora do meu corpo enquanto via Roberta acariciando ainda minha cabeça. Vaguei incialmente pelo corredor do hotel e ao transpassar as paredes de um quarto peguei um casal de gays transado entre palavras depravadas por parte deles. — Adoro te comer, Wilson! Ignorando isto, passei a diante vários outros quartos tendo a consciência de meu objetivo – se isto for possível num estado como aquele – e por vários cômodos contemplando os demais desejos profanos de seus hóspedes, coisas por vezes impronunciáveis como detalhes sórdidos das práticas de um velho obeso transando com uma jovem de 19 anos, sabe-se lá como. Ao irromper os limites do hotel vi-me sob os postes transpassando os fios de energia e como tomado por uma turbulência quase perdi o controle de meu milagroso voo desencarnado. Vi um carro parando na esquina e adentrei uma casa onde uma bela mulher tomava banho. Curiosamente naquele estado não estava tentando as mesmas intempéries de meu corpo material de modo que mesmo sendo a mulher formosa não senti-me tentado. Emplumei então meu voo em direção ao Templo dos Mortos o qual tinha duas estranhas quimeras com crânios humanos no topo e irrompi por sua cúpula central descendo exatamente pelo meio. O que vi a princípio eram sombras compridas e oscilantes lançadas por luzes trêmulas de um ambiente débil e mal iluminado. Havia um círculo no meio daquele encontro profano o qual as pessoas vestiam roupas negras e tenebrosas de modo a ocultar-lhes seus rostos com capuzes. Quando aproximei-me vi que no centro havia uma mulher nua sob efeito da neurocaína enquanto os demais proclamavam o poder da cromoína num cântico bizarro sob suas consciências profanas que diziam que a combinação de ambas era o caminho da libertação espiritual. Quando encontrei o guru o homem proclamava que o andamento da proibição da droga parecia sucedido a eminência ao fraudar supostas pesquisas e mesmo criar casos obscuros de mortes provocadas pela mesma. O objetivo do nefasto homem era com que a proibição tirasse a possibilidade da fórmula ser produzida legalmente a não ser em casos experimentais o que por contatos de outros membros tornaria passível através de doutores e outros homens da ciências comprometidos imoralmente com a corrupção. Por fim tudo aquilo visava 94