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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Despertei na cama ruborizado. Embebido no meu suor ergui-me como de
um pesadelo indagando Roberta sobre gritos supostamente ouvidos.
Calmamente, Roberta riu e me perguntou.
— Pare de bobagens, são comuns relatos de sonhos antes da projeção.
Diga-me que carta você viu no baralho.
— As de Kopas. — Respondi secamente levando ela dar um sorriso
luminoso. — Mas você também trocou de roupa durante o sono colocando um top
azul.
— Muito bem, passou o efeito e agora será a minha vez! Incrível isto!
— Espere! — Vociferei com ela ainda nervoso. — Vi um crime! Um estupro
enquanto estava fora de meu corpo!
— Não diga isto... — Completou ela sorrindo como se eu mentisse para ela,
mas naquele instante os sons de sirenes irromperam o silêncio noturno exterior
vindo parar com suas luzes oscilantes entre azul e vermelho no terreno baldio.
Roberta engoliu seco ao presenciar que aquele lugar havia se tornado uma
cena de crime. Saímos da casa dela e presenciamos a verdade, uma mulher não
somente havia sido violentada como morta por pervertidos sexuais o qual não
fazia a menor ideia de como mencionar a polícia num crime o qual a única
testemunha havia sido uma ‘consciência flutuante’.
— Muito bem, você me dirá como eram esses homens! — Indagou ela
perplexa com o ocorrido, afinal a jovem morta era uma vizinha amiga do colegial
de Roberta.
Pensava que aqueles homens talvez estivessem sob efeito de uma outra
droga agora ilícita, a cromoína, que aumentava exponencialmente a libido
tornando as imagens percebidas multicoloridas e fantasiadas. Essa droga terrível
havia levado até mesmo um homem ser estuprado por seus perpetradores
algozes verem ele como uma linda loira que rebolava ainda que fosse calvo e de
barba. Os usuários dessa perigosa droga tinham invertia as polaridades –
inclusive morais – de sua personalidade e num estado semelhante de loucura
matava, agredia ou estuprava pessoas apenas por serem honestas e integras, ou
meramente talentosas. Sua proibição fora justa e inquestionável. Aquela
arriscada e venenosa droga criava danos cerebrais que gradualmente tornava
seus usuários como psicopatas ao obscurece a empatia tão necessária para que
se colocassem no lugar de suas vítimas. Tudo que é certo é verdadeiro, mas nem
tudo que é verdadeiro é certo.
Tão logo notei que minhas hipóteses eram verídicas com a perícia criminal,
mas o que mais me deixou surpreso era o fato de que a jovem em questão era,
por coincidência, filha do Dr.Bennet, criador da necroína. Perplexo ao relatar a
aparência a minha amiga Roberta não menos estupefata com o caso nos levou a
pesquisar na internet através de um programa online da darknet de identificação
de rostos a partir de parâmetros e características do rosto do indivíduo e para
nossa surpresa um dos homens era uma pessoa que nas redes sociais era amigo
e líder de uma seita intitulada necro gnose. Não sabíamos como levar esses
dados a polícia sem levantar suspeitas, mediante as circunstâncias
extraordinárias do testemunho não fomentaria provas aceitáveis em tribunais e
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