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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
fingiam-se de socorristas ante todos até que o jovem sumisse na multidão como
sua vida esvaindo-se nos braços de seus algozes. Bennet não estava drogado,
mas realmente perseguido por sinistros e misteriosos homens atrás de uma
descoberta.
Todavia o homem tinha um seguro ante a poderosa descoberta por ele
desvelada, algo que disponibilizou na internet em casos de infortúnios como
aqueles. Uma droga potencialmente revolucionária o qual não era capaz de
alterar o estado de consciência como a maioria dos alucinógenos, mas amplia-la
de um modo inesperado. Droga esta capaz de dar vislumbres supostamente do
post mortem, algo que ele agora experimentava em caráter definitivo.
Não demorou para que a morte de Bennet fosse anunciada nos telejornais
e que alguns descobrisse e replicassem a fórmula com propriedades químicas de
fácil acesso mudando para sempre os estudos da morte na história humana. Tão
logo o narcótico chamou-se necroína e inicialmente popularizou-se entre grupos
esotéricos e seitas, mas vindo a cair no gosto posteriormente de celebridades e
intelectuais. Foi na onda de um amigo intelectual o qual teve experiências
transcendentes e fora do corpo o qual fui tomado pela curiosidade de algo que
tinha implicações filosóficas antigas e primordiais.
Os relatos eram difusos, mas pareciam curiosamente ter confirmação
científica não somente por leituras cerebrais e neurológicas do cérebro sob seu
efeito, mas dos relatos extrassensoriais que batiam com o ocorrido durante o
período o qual o indivíduo aparentemente projetava sua consciência
sensorialmente adormecida fora dos espaços naturais a seu invólucro de carne.
As implicações eram enormes. Das projeções astrais o qual governos temiam do
uso para espionagem as visões que relacionavam diretamente a contemplações
espirituais de anjos e entidades jazidas de outrora. Fosse reais meramente
delírios senis e psicóticos de mentes letárgicas num torpor de quase coma.
Obviamente que antes do uso dessa singular e revolucionária droga estudei
todos os artigos relacionados do doutor Carlos Bennet assim como estudos
secundários que embasassem uma segunda opinião não menos surpreendente.
Aquela droga lançava a consciência num estado similar ao do sono REM, porém,
emitindo ondas cerebrais ainda mais intensas ao demonstrar uma atividade
cerebral incomum em determinadas áreas do cérebro como o pineal e
hipotálamo.
Não havia uma única hipótese sobre aquilo e seus efeitos aparentemente
de relatos condizendo ao mundo desperto. Dentre elas havia de que a droga
ampliava a capacidade auditiva em seu estado aparentemente inconsciente de
modo a conseguir perceber movimentos e objetos no local onde estava, mas esta
hipótese foi logo deixada para trás quando testes indicavam que o homem num
estado de quase morte conseguia visualizar desenhos em cartas assim como
mencionar fotos de rostos vistos no período de adormecido.
A Navalha de Ockham era clara, uma vez eliminando o óbvio restou apenas
o impossível, provas circunstanciais de uma mente flutuante e temporariamente
desencarnada ante um corpo que apresentava aumento de atividade cerebral
similarmente ao notado em alguns casos de pessoas que jaziam de fato.
Havíamos descoberto um novo patamar da consciência, a hiperconsciência.
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