Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 95

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 fingiam-se de socorristas ante todos até que o jovem sumisse na multidão como sua vida esvaindo-se nos braços de seus algozes. Bennet não estava drogado, mas realmente perseguido por sinistros e misteriosos homens atrás de uma descoberta. Todavia o homem tinha um seguro ante a poderosa descoberta por ele desvelada, algo que disponibilizou na internet em casos de infortúnios como aqueles. Uma droga potencialmente revolucionária o qual não era capaz de alterar o estado de consciência como a maioria dos alucinógenos, mas amplia-la de um modo inesperado. Droga esta capaz de dar vislumbres supostamente do post mortem, algo que ele agora experimentava em caráter definitivo. Não demorou para que a morte de Bennet fosse anunciada nos telejornais e que alguns descobrisse e replicassem a fórmula com propriedades químicas de fácil acesso mudando para sempre os estudos da morte na história humana. Tão logo o narcótico chamou-se necroína e inicialmente popularizou-se entre grupos esotéricos e seitas, mas vindo a cair no gosto posteriormente de celebridades e intelectuais. Foi na onda de um amigo intelectual o qual teve experiências transcendentes e fora do corpo o qual fui tomado pela curiosidade de algo que tinha implicações filosóficas antigas e primordiais. Os relatos eram difusos, mas pareciam curiosamente ter confirmação científica não somente por leituras cerebrais e neurológicas do cérebro sob seu efeito, mas dos relatos extrassensoriais que batiam com o ocorrido durante o período o qual o indivíduo aparentemente projetava sua consciência sensorialmente adormecida fora dos espaços naturais a seu invólucro de carne. As implicações eram enormes. Das projeções astrais o qual governos temiam do uso para espionagem as visões que relacionavam diretamente a contemplações espirituais de anjos e entidades jazidas de outrora. Fosse reais meramente delírios senis e psicóticos de mentes letárgicas num torpor de quase coma. Obviamente que antes do uso dessa singular e revolucionária droga estudei todos os artigos relacionados do doutor Carlos Bennet assim como estudos secundários que embasassem uma segunda opinião não menos surpreendente. Aquela droga lançava a consciência num estado similar ao do sono REM, porém, emitindo ondas cerebrais ainda mais intensas ao demonstrar uma atividade cerebral incomum em determinadas áreas do cérebro como o pineal e hipotálamo. Não havia uma única hipótese sobre aquilo e seus efeitos aparentemente de relatos condizendo ao mundo desperto. Dentre elas havia de que a droga ampliava a capacidade auditiva em seu estado aparentemente inconsciente de modo a conseguir perceber movimentos e objetos no local onde estava, mas esta hipótese foi logo deixada para trás quando testes indicavam que o homem num estado de quase morte conseguia visualizar desenhos em cartas assim como mencionar fotos de rostos vistos no período de adormecido. A Navalha de Ockham era clara, uma vez eliminando o óbvio restou apenas o impossível, provas circunstanciais de uma mente flutuante e temporariamente desencarnada ante um corpo que apresentava aumento de atividade cerebral similarmente ao notado em alguns casos de pessoas que jaziam de fato. Havíamos descoberto um novo patamar da consciência, a hiperconsciência. 90