LiteraLivre n º 8 – Mar / Abr de 2018
-No entanto, você, um mouro, elevado à condição de general, desfrutando do amor da bela Desdêmona não se deu conta de quanta inveja, ciúme e raiva despertava entre os seus convivas?- perguntei-lhe.
-Fui presa fácil de minha própria ingenuidade e arrogância. Em vez de me dar por satisfeito pelas benesses alcançadas, e grato pela oportunidade de me apaziguar com esses espíritos, busquei desmedidamente um patamar que não me competia atingir.
-Esqueceu-se, sem dúvida, dos planos arquitetados no Além. Agora, o que reserva o futuro?
-Breve voltaremos à vida corpórea. A Espiritualidade planeja-nos outra encarnação compulsória, dessa vez na Escócia, no reino de Duncan.-Serão novamente marido e mulher?-Sim. Depois de desabafar, o mouro afastou-se resignado. Enquanto eu me refazia da surpresa pelo contato inusitado e quase surreal, minha outra colega dava passagem para William, que tendo ouvido os relatos de seu personagem, revelou-nos que eu e as outras duas também teríamos papel relevante nessa nova encenação.
Que disse? Encenação? Quis dizer encarnação. Como feiticeiras, profetizaríamos o futuro do casal, que, através de violentos artifícios, chegariam a reinar sobre o país.
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