LiteraLivre n º 8 – Mar / Abr de 2018
A Morte da Liberdade Marlene da Silva Leal Rio de Janeiro / RJ
A garota de Ipanema envelheceu. O Pão de Açúcar desmoronou. A Vista Chinesa e o Porto Maravilha viraram trincheiras As ruas e túneis estão sob controle. O Cristo Redentor nos abandonou. Nossos governantes saquearam os cofres públicos. O morro desceu com seu poderio bélico e nos aprisionou. Os que deveriam nos proteger morreram ou mudaram de lado. Estamos todos reféns do medo. O terror queima a alma e os ônibus nas ruas.“ Tranquem suas portas e permaneçam em casa. Não ousem gritar nas praças. Será inútil. Ninguém ouvirá. Não ergam bandeiras brancas, porque serão manchadas de sangue”. O comando agora é a opressão dos fora da lei e da ordem. Estamos todos reféns do medo. O terror nos cala a boca e os pensamentos. Ai de ti Copacabana com seu Réveillon. Ai de ti Madureira com seu Carnaval. Ai de ti que se rebelar contra o som das armas que lhe tiram a paz. Seremos todos aniquilados, agrilhoados, imóveis, calados... Porque a liberdade acaba de morrer.
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