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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Rosso - Terra das Bonecas Mortas
Morphine Epiphany
São Paulo/SP
Mila agarrava o pano de sua boneca
Os doces em terras fantasiosas
rondando as auréolas de pensamentos
Confidenciou uma travessura
enquanto o pavor e a gritaria
penetravam a janela, sem convite.
Seus ouvidos acreditavam em fogos de artifício
E todas as bazucas eram de brinquedo em um jogo
Crianças em vermelho, mães em escarlate,
garotos em rubro, sussurros sangrentos
Adolescentes numa frenética ação
pelas ladeiras, morros e residências.
Existia sepultura nos olhos de cada um
Baú de violência, sociopatia nas faces.
Mila acompanhava o Rosso daquela manhã
Tarantinesca em todos os seus ângulos
Gatilhos, duas balas em lentidão avançaram
Em modo estático,
a menina visualizou Neverland.
Famílias em transe, calçadas inundadas de agonia
Formigas empunhando armas, pintando sequências
Vívidas em sangre.
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