Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 155

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 Radicalidade do Eu Juli Cruz Taboão da Serra/SP Uma vez um cara branco, de classe média disse que eu era muito radical. Refleti um instante... E respondi que radical, era a miséria das pessoas, radical era a menina de 5 anos violentada, roubada, usurpada pelo destino. Radical, era a condição da mulher, pobre, do gay, da/do transexual, da/do negra(o), da(o) indígena. Radical, era a fome, a fome de esperança, de justiça. Radical era a exploração do trabalho, os privilégios da elite. Radical era a colonização que originou uma nova divisão do mundo que norteava os fortes e consagravas os fracos, vulgo, sulistas. Erro geopolítico. Não, tentativas e erros históricos. Não, seleção natural. Darwin deve estar reflexivo. Radical, é o branqueamento poético da simétrica de soneto e a marginalização da descontinuidade dos versos da rua. Radical é a morfema que acompanhado do sufixo realiza uma nova criação, assim, dispensa o pré fixo, pré conceito, exalta o pré destino e por fatalidade social, se determina o irreversível fim. Enfim. Radical, é a taxa de crescimento do suicídio e do trabalho infantil enquanto pesquisam armas nucleares, linda rosa de Hiroshima. Radical, é o Universalismo ocidental que ilude os direitos humanos ou será que os humanos direito?! 10% da população mundial é canhota. Notícia de jornal, manchete estampada: ''Noite mais fria do ano''. Radical é não saber que pra quem vive das estrelas, a lua tem 4 fases de calor. Talvez você até saiba mas o que a gente prefere mesmo é a meia fase. Radical, é o batimento da minha revolução, onde se não corre sangue, de fato, corre revolta mas que na vida ,eu sou tudo, menos radical. 150