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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Radicalidade do Eu
Juli Cruz
Taboão da Serra/SP
Uma vez um cara branco, de classe média disse que eu era muito radical. Refleti
um instante... E respondi que radical, era a miséria das pessoas, radical era a
menina de 5 anos violentada, roubada, usurpada pelo destino. Radical, era a
condição da mulher, pobre, do gay, da/do transexual, da/do negra(o), da(o)
indígena. Radical, era a fome, a fome de esperança, de justiça.
Radical era a exploração do trabalho, os privilégios da elite.
Radical era a colonização que originou uma nova divisão do mundo que norteava
os fortes e consagravas os fracos, vulgo, sulistas. Erro geopolítico. Não,
tentativas e erros históricos. Não, seleção natural. Darwin deve estar reflexivo.
Radical, é o branqueamento poético da simétrica de soneto e a marginalização da
descontinuidade dos versos da rua.
Radical é a morfema que acompanhado do sufixo realiza uma nova criação,
assim, dispensa o pré fixo, pré conceito, exalta o pré destino e por fatalidade
social, se determina o irreversível fim. Enfim.
Radical, é a taxa de crescimento do suicídio e do trabalho infantil enquanto
pesquisam armas nucleares, linda rosa de Hiroshima.
Radical, é o Universalismo ocidental que ilude os direitos humanos ou será que os
humanos direito?! 10% da população mundial é canhota.
Notícia de jornal, manchete estampada: ''Noite mais fria do ano''. Radical é não
saber que pra quem vive das estrelas, a lua tem 4 fases de calor. Talvez você até
saiba mas o que a gente prefere mesmo é a meia fase.
Radical, é o batimento da minha revolução, onde se não corre sangue, de fato,
corre revolta mas que na vida ,eu sou tudo, menos radical.
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