Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 149

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 BATEM NA PORTA... CHEGOU OUTRO... Em meio aos gozos de um homem adúltero, e aos gritos de prazer, lembro da vida diferente que eu poderia ter. Passa se um tempo, e eu não me sinto bem, será algo que comi no último motel? Ou será apenas o corpo dando o sinal que está nas últimas. Faço exames .... E Enfim o resultado... Gravidez... Estou de 3 semanas. Se nunca tive amor, como vou amar? A Dona do Bordel, já me avisou.. Ou “Aborta ou Rua”. Na rua já estou, Mas agora não mais sozinha..Não consigo satisfazer o cliente, e por isso ele preencheu o meu corpo de marcas de cigarro. Acordo numa poça de sangue, A dona do Bordel é a Paloma. Ela era mulher de rua e conseguiu o seu próprio lugar, ela carrega uma cicatriz no rosto feito por um canivete. Talvez por ter roubado por alguns minutos de prazer, a paixão de alguém! O relógio da decisão caminha lento. Sinto Frio. Enfim decidi. Vou abortar. Naquela mesa gelada. Meia Luz. O sangue se espalha no chão, o MEU SANGUE. Tudo teria dado certo, se não fosse, aquele pedaço de algodão contaminado. Ah, aquele pedacinho insignificante. Quem sabe foi castigo da vida, por ter cortado a mais bela raiz que uma flor pode ter. Lembro de quando descia as escadas, com o meu vestido de vermelho e todos me cobiçavam. Hoje na mesma escada,me encontro sentada, tragando um cigarro e dando gole na 51... Meus olhos estão escurecendo...Acordei... Em um hospital, Hoje escuto lá longe o barulho, do soro pingar, o vento na janela bater e o fim chegar. O meu coração está parando.. PARANDO.. ELE PAROU... 144