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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
BATEM NA PORTA... CHEGOU OUTRO... Em meio aos gozos de um homem
adúltero, e aos gritos de prazer, lembro da vida diferente que eu poderia ter.
Passa se um tempo, e eu não me sinto bem, será algo que comi no último motel?
Ou será apenas o corpo dando o sinal que está nas últimas.
Faço exames .... E Enfim o resultado...
Gravidez... Estou de 3 semanas. Se nunca tive amor, como vou amar? A Dona do
Bordel, já me avisou.. Ou “Aborta ou Rua”. Na rua já estou, Mas agora não mais
sozinha..Não consigo satisfazer o cliente, e por isso ele preencheu o meu corpo
de marcas de cigarro. Acordo numa poça de sangue, A dona do Bordel é a
Paloma. Ela era mulher de rua e conseguiu o seu próprio lugar, ela carrega uma
cicatriz no rosto feito por um canivete. Talvez por ter roubado por alguns minutos
de prazer, a paixão de alguém! O relógio da decisão caminha lento. Sinto Frio.
Enfim decidi. Vou abortar. Naquela mesa gelada. Meia Luz. O sangue se espalha
no chão, o MEU SANGUE. Tudo teria dado certo, se não fosse, aquele pedaço de
algodão contaminado. Ah, aquele pedacinho insignificante. Quem sabe foi castigo
da vida, por ter cortado a mais bela raiz que uma flor pode ter. Lembro de
quando descia as escadas, com o meu vestido de vermelho e todos me
cobiçavam. Hoje na mesma escada,me encontro sentada, tragando um cigarro e
dando gole na 51... Meus olhos estão escurecendo...Acordei... Em um hospital,
Hoje escuto lá longe o barulho, do soro pingar, o vento na janela bater e o fim
chegar. O meu coração está parando..
PARANDO..
ELE PAROU...
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