Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Página 123
LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Quem cuida do idoso doente se todos devem prover seu sustento e os filhos
menores estudarem? Ai, então surge um dilema sério. Colocar ou não em casas
geriátricas? Hoje o número destes estabelecimentos aumentou
consideravelmente assim como os valores por eles cobrados. Geralmente estes
valores são muito superiores ao poder aquisitivo da classe média baixa e classe
média média, seguindo as classificações sociológicas. Há casas, evidentemente,
para todos os segmentos, porém o tratamento será diferenciado quanto à
qualidade do local e as qualificações oferecidas.
Muitos colocam nas instituições consideradas básicas no quesito de
atendimento qualificado e lá deixam seu idoso indo visitá-lo esporadicamente ,
quando não o abandonam de vez , deixando-os naquilo que poderíamos chamar
de limbo. Não estão vivendo, também não estão mortos, não foram
encaminhados para o céu ou para o inferno, para aquelas cuja religião assim
define o pós- morte, mas na realidade, estão vivendo no inferno emocional, longe
dos familiares, daqueles a quem se dedicaram ao logo da vida, privados do
convívio que dá sensação de pertencimento e sabendo-se, de antemão mortos no
coração daqueles a quem amaram a vida toda e apesar do abandono ainda
amam.
Aqueles que durante a vida adulta não tiveram bom relacionamento familiar,
saíram de casa por drogas ou alcoolismo e tornaram-se à margem da sociedade
constituem-se em outra situação mais difícil ao ingressar nesta faixa etária. Já
não se acostumam mais a manter vínculos preferindo viver sem regras e sem
vínculos afetivos e emocionais. Não tem familiar ou se perderam dos mesmos
anteriormente e não aceitam regras das poucas instituições como albergues
públicos que os atendem ou poderiam atendê-los. Muitos já se tornaram casos de
atendimento psiquiátrico por perda de referencial e de pertencimento a um
grupo. Não é difícil encontrá-los vivendo em companhia dos cães, gatos nas ruas.
Tornaram-se desconhecidos para os possíveis familiares e quiçá para si mesmo.
São casos que demandam atendimento específico e de políticas assistenciais
próprias para reinserção na sociedade se ainda houver tempo possível.
A princípio a sociedade parece só condenar os familiares de quem foi
abandonado, mas, infelizmente, sempre há o outro lado da moeda a ser
investigado, pois pode ocorrer que aquele idoso que foi abandonada tenha sido
um pai distante, que espancava filhos, mulher, que vivia desregradamente sem
importar-se consigo mesmo e com a família.
O ideal é que toda a pessoa idosa viva no aconchego de um lar, junto aos
familiares, desfrutando desta fase da vida com carinho e amor de modo a ocorrer
uma gratificante troca de sentimentos e auxílio mútuo.
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