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LiteraLivre nº 4
Estrada Em Chamas
Aníbal Hiadgi
Juazeiro do Norte/CE
Ainda é cedo... Aquece a fornalha.
Logo se espalha o ourives sem dedos.
Cobre os rochedos e muito trabalha.
Também retalha escuros segredos.
É meio-dia e caminho no asfalto,
Gritando alto, meus versos... Fracassos.
Perdi meus braços, ganhei o aleijo
E agora vejo que estou descalço.
Meus pés queimando no chão abrasivo.
Sinto-me vivo e dou mais um passo.
No espaço-tempo esqueço o motivo
E pensativo me lembro do aço.
Estar sem olhos em nada me espanta,
Não adianta, vou me libertar.
Agrego forças, ainda que cego,
E arranco os pregos do meu calcanhar.
Ainda resta um lastro na mochila.
Rastro de vida sei que vou deixar.
Quem sabe à tarde alcançarei o bronze
Ou talvez morra na beira do mar.
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