Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Page 55

LiteraLivre nº 4 Estrada Em Chamas Aníbal Hiadgi Juazeiro do Norte/CE Ainda é cedo... Aquece a fornalha. Logo se espalha o ourives sem dedos. Cobre os rochedos e muito trabalha. Também retalha escuros segredos. É meio-dia e caminho no asfalto, Gritando alto, meus versos... Fracassos. Perdi meus braços, ganhei o aleijo E agora vejo que estou descalço. Meus pés queimando no chão abrasivo. Sinto-me vivo e dou mais um passo. No espaço-tempo esqueço o motivo E pensativo me lembro do aço. Estar sem olhos em nada me espanta, Não adianta, vou me libertar. Agrego forças, ainda que cego, E arranco os pregos do meu calcanhar. Ainda resta um lastro na mochila. Rastro de vida sei que vou deixar. Quem sabe à tarde alcançarei o bronze Ou talvez morra na beira do mar. 50