Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Page 162

LiteraLivre nº 4 É um tempo mais lento ao puro relento É a duração dos segredos, do amor, dos lamentos É o tempo do pretérito, das lembranças, dos talentos. E o tempo do futuro se alonga no passado e mergulha no agora E o alento da vida revigora Mas o tempo aqui de fora É um tempo que passou Mas que rastros em mim deixou E eu achei que era tempo perdido Esse tempo dito antigo Se em mim o tempo clama e passa devagar Mas a vida exige a pressa, sem olhar o divagar E depressa e constante o tempo passa sem parar E mesmo que dele você corra atrás Você não o alcança jamais. Pois ele passa e nada fica Nos objetos, nas coisas do espaço e na palavra dita O tempo é como a água que escapa entre os dedos da criança Ou como o vento que sopra entre frestas sem distância Sem rascunho, sem ranhura, sem fiança E nessa longa estrada vazia do tempo Vou preenchendo-o sem demora Transformando os instantes em agora E a vida comemora. 157