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LiteraLivre nº 4
É um tempo mais lento ao puro relento
É a duração dos segredos, do amor, dos lamentos
É o tempo do pretérito, das lembranças, dos talentos.
E o tempo do futuro se alonga no passado e mergulha no agora
E o alento da vida revigora
Mas o tempo aqui de fora
É um tempo que passou
Mas que rastros em mim deixou
E eu achei que era tempo perdido
Esse tempo dito antigo
Se em mim o tempo clama e passa devagar
Mas a vida exige a pressa, sem olhar o divagar
E depressa e constante o tempo passa sem parar
E mesmo que dele você corra atrás
Você não o alcança jamais.
Pois ele passa e nada fica
Nos objetos, nas coisas do espaço e na palavra dita
O tempo é como a água que escapa entre os dedos da criança
Ou como o vento que sopra entre frestas sem distância
Sem rascunho, sem ranhura, sem fiança
E nessa longa estrada vazia do tempo
Vou preenchendo-o sem demora
Transformando os instantes em agora
E a vida comemora.
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