Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Page 141
LiteraLivre nº 4
Poeta Morto
Maria Ângela Piai (Angel)
Capivari/SP
O corpo do poeta jaz inerte
Regado pelo choro ruidoso das carpideiras
Cercado por preces vazias.
Dorme o poeta morto
Enquanto eu velo teu sono
Num canto qualquer do saguão
Segurando a coroa de flores
Disfarçando os odores da putrefação.
Dorme poeta morto
Que não mais versos fará
Ficarei aqui contigo
Até o coveiro lhe plantar
Feito semente na terra.
Mas tu não florirá.
Escondido atrás das flores
Seguro o meu punhal
Sujo com o sangue seco
Do único golpe mortal
Dorme poeta morto
Inerte sobre a poesia
Nunca mais me chamara
De tua menina.
136