Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | страница 128

LiteraLivre nº 4 Perfeita Utopia Gerson Machado de Avillez Rio de Janeiro/RJ Dr.Jerry Goldstein havia descoberto um mundo de possibilidades infinitas num multiverso ao conseguir em seu laboratório de garagem o que ninguém em seu mundo conseguiu, romper os limites impostos pela seta do tempo. Tão logo percebeu não ter sido o único no multiverso, pois pipocavam cientistas e aventureiros de outras dimensões num clube restrito de realidades que conseguiram alcançar esse patamar alçando voos além realidade. Mas ao contrário de qualquer sociedade minimamente evoluída, Jerry temia publicar seus trabalhos e descobertas pioneiras pois a realidade em que vivia era de opressão de modo distópico, de modo que poderiam usar seus conhecimentos e tecnologias para o mal. Jerry queria assim usar sua 'máquina do tempo' como um meio de alterar sua realidade ainda que temesse que isso não fosse possível. Jerry, queria, simplesmente voltar no tempo e aniquilar os precursores daquela distopia doentia eliminando todos fanáticos, tiranos e genocidas que tornaram aquele mundo um deserto hostil de abiose social. Costumava ler desde criança relatos floridos de um mundo justo onde pairava a igualdade simbiótica a diversidade, mais do que uma palavra, mas imparcialmente em seus direitos individuais. Queria em seu âmago conhecer o extremo contrário daquele espectro distópico, conhecer uma utopia, terra dos primores científicos e éticos. Pudera compreender o descontento de Dr.Jerry num mundo que fora organizado não por governos, mas por uma espécie de gangues regionais bem tribais o qual para se vagar pelo mundo sem ser saqueado, estuprado e morto deveria ser iniciado num desses grupos de matizes diferentes, mas atitudes iguais. Eram os neonazistas de um lado, a irmandade africana de outro, todos os quais praticavam seus ritos religiosamente como se suas gangues fossem religiões do mal e, as mulheres, relegadas ao papel de reprodutora numa e prostituta noutra. A revolta de Jerry era mais do que justificada, naquela distopia dos infernos ele viu seus pais serem estuprados e mortos quando ainda em tenra idade, ato que o marcou profundamente a ecoar pesadelos até mesmo na fase adulta. O Ethos daquele mundo era pior que o medieval, perpetrava em seu ímpeto todos elementos que eram narrados em utopias como ultrapassados e reprovados, da escravidão a exploração sexual de homens e mulheres tratados pior do que animais, como a exemplo do que fazia os neothugs que se julgavam herdeiros legítimos da seita de thugs indianos. Aquele mundo tinha um novo deus soberano, uma espécie de ecumenismo do mal que reunia numa só sintética figura uma entidade que 123