Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Seite 110
LiteraLivre nº 4
devaneios se foram... Está sem saída! Se ao menos arrumasse dinheiro para
voltarem para o mato! Mas, como?! Talvez até tenha meios para isso, mas o
pior de tudo é que perdeu o ânimo! Tem medo agora... Não quer parecer
aventureiro, e sofre terrivelmente. Cassiano torce por essa aventura. De
voltar... Quer voltar. É tudo o que mais deseja! Que adianta? Nunca terá
coragem de conversar isso com o pai. Imagina!
As horas vão correndo. Já é noite alta, o morro está quase todo apagado. E,
nada do pai. Que angústia!
A mãe, andando de um lado pro outro, não para de rezar. Cassiano fica mais
aflito diante da insegurança da mãe. Ela, adulta, desprotegida, e ele, como se
sente?!
A madrugada chega, junto com ela, Clarinha. Cara amarrotada. Entra falando
alto, os cabelos num completo desalinho, agitada. É só o tempo de tirar a
roupa, e cai na cama. Nem pergunta pelo pai. Pelo jeito nem tem tino para
isso. Está esquisita!
Cassiano, apesar de aflito, encolhido sob as cobertas, não resiste ao sono e
dorme profundamente.
Acorda sobressaltado com os gritos da mãe. É uma sensação horrorosa! O
coração lhe bate na goela, nem sabe para que lado da cama descer as
pernas... É terrivelmente assustador!
Num instante está na porta do barraco. Os olhos, ofuscados pela claridade