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LiteraLivre Edição Especial nº 03 - 2019
de modo que medidas simples pareciam levar a discrepâncias físicas e
matemáticas como se 1+1 não fossem dois.
Paramos diante de uma clareira quando fitamos um forte vento que parecia
ser delimitado por uma muralha invisível. De um lado as árvores ululantes
dançavam num frenesi incompreensível do torpor estagnado de onde estávamos,
isso até que num rompante ao darmos um passo à frente fomos acometidos por
um vento de insensível frio. Sentimos algo intrínseco e diferente naquele lugar
que tão logo desvelou uma montanha jamais descrita em mapas de nosso mundo
ordinário.
Os relógios rodavam como a qualquer tempo, mas num passo atrás víamos
ele desacelerar contra todos prognósticos físicos plausíveis.
— Ao aproximar os tempos, ao esticá-los, os segundos podem durar uma
eternidade. — Proferiu minha amada cônjuge ante os mistérios avassaladores
que sobrevinha a olhos vistos de mortais como nós.
Que subterfúgio seria aquela bruxaria? Pensou minha analítica mente
resiliente a incompreensão do desconhecido. Adentramos terras dentro das terras
através dos tempos dentro dos tempos à espera do inesperado enquanto
lembrávamos das palavras do moribundo ancião vítima da fatalidade do mortal
mundo da sã consciência. Mentes ordinárias não poderiam compreender aquilo
pois o infinito não cabia no finito de nossas mentes.
Caminhamos por longos minutos sejam eles segundos em nosso mundo ou
não. Mas nossos pés levaram até um horizonte donde se fitava um imenso
império reluzente como ouro, o qual as edificações como castelos pontudos
ameaçam cortar o tecido do espaço-tempo perfurando a trama de nosso mero
mundo de cotidianos medíocres e simplórios. Doravante li as teorias de um louco
o qual teria se desventurado por tais terras além das terras o qual falava que a
mecânica quântica desvelava a inicial natureza de outras dimensões as quais as
leis mortais da relatividade não se aplicavam. A 'mecânica quântica' era a guardiã
de outros universos, segundo o débil homem balbuciante.
Sobretudo rezava a lenda que naquele lugar havia uma porta misteriosa que
por séculos ninguém nunca conseguiu abrir, pois dizia a profecia que um
escolhido abriria a porta ao trazer o conhecimento da verdade. Mas o tirânico
Império de Tendor que dominava de modo brutalmente severo aquelas terras
desejava abrir a porta e se apossar de seu misterioso conteúdo, excluindo todos
demais para se ter exclusividade em acesso, fosse qual fosse este conteúdo.
Poderia nossa finita sã consciência ampliar os horizontes da existência ao
infinito de tal loucura?
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