LiteraLivre nº 1
Querubim Quilombola
Leonardo Eduardo Dutra/ Macaé - Rio de Janeiro/RJ
Poder e autoridade, espada e balança, razão e coração, Deus e filho do homem.
Certamente demorei décadas até analisar toda a similaridade de informações e conseguir
concatenar as ideias, afim de reunir sobriamente as palavras e apresentar de forma lúdica
para que me fizesse compreender entre os doutos.
Mas meu alvo, e o destino de minha essência, estavam sempre indo para lados opostos
e fadados ao declínio. Então, em sua grande sabedoria o pai, me expulsou do berço onde
nascera o egoísmo. Vertiginosamente em queda pude perder algumas palavras pelo
caminho, verdadeiros rastros, poeira, que se fizeram estrelas e descrevem até hoje o
trajeto que me leva para casa.
Nu, surdo e um pouco cego acordei entre os homens, envergonhado, esqueci minhas
origens, aflito, abandonei o meu nome. Onde estás filho da Alva? Já nem sei, me fiz
bicho, me fiz homem. Danço samba, Kuduro, bebo vinho quando tenho sede, rezo três
Ave Marias, um Pai nosso e abomino tudo isso quando vou ao culto dominical.O que eu
me tornei ? Cadê a ciranda? os maculelês? Tomo ayahuasca pra lembrar, danço, giro,
coloco oferenda e bato cabeça pra saudar essa gente tão sofrida que só faz é chorar de
alegria quando vê um boi pintadinho. Fumo charuto, como churrasco, compro bolacha e
rebolo no mato tudo o que não presta. Bebo cerveja e grito Gol quando dá tudo errado.
Ah, meu Brasil! Certamente o céu Marxista não era o meu lugar.
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