Revista LiteraLivre 19ª edição | Page 161

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 Nercy Grabellos Rio de Janeiro/RJ A Padroeira Quando fomos ao Santuário Nacional de Aparecida do Norte, com meu irmão doente, eu e minha filha o levamos, após inúmeros pedidos, embora soubéssemos que seria sacrificado. A viagem foi muito penosa, pegamos a estrada e ele reclamando dos problemas de saúde. Nós o medicamos, pensando até que ponto valeria tanto sacrifício, mas como negar o pedido a um doente? Após horas de penosa viagem, chegamos na entrada do estacionamento do Santuário, ali quase nos impuseram a compra de fitas e santinhos. Lembramos de Jesus expulsando os vendilhões do templo. Nós chegamos enfim, fomos ao banheiro e almoçamos, com a praça de alimentação lotada tivemos que ter paciência até arranjar uma mesa, a comida self service estava razoável. Enfim fomos visitar o Santuário, lindo, imponente, vimos a imagem, réplica daquela que encontraram no Rio Paraíba do Sul. A santa foi encontrada por pescadores que relataram as dificuldades na pesca naquele dia, não conseguiam pescar nada, até que na rede veio a imagem. No primeiro momento a imagem sem a cabeça, no segundo momento o restante e a rede repleta de peixes. Reconhecido como um grande milagre a santa passou a ser reverenciada e romarias passaram a procurá-la na casa dos pescadores. Com o tempo foi construída uma pequena igreja para os cultos, mas o espaço não era suficiente para os romeiros, foi assim que o Santuário foi construído. Eu e meu irmão conhecemos a antiga igrejinha, mas a vontade de conhecer a atual era muito grande. Nossa Senhora Aparecida, a santinha negra, parece desafiar aqueles que não aceitam as diferenças. A Padroeira do Brasil veio para mostrar toda bravura e beleza de uma raça, somos todos Brasil! Ficamos comovidos com a fé das pessoas. O meu irmão, apesar das dificuldades da viagem realizou o sonho de conhecer o Santuário e ainda aceitou ir ao teleférico onde, no alto pode ver tudo de um modo muito especial [158]