Revista LiteraLivre 19ª edição | Page 142

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 Luzia Stocco Piracicaba/SP Urgente: Músicas Nos Bailes De Forró (artigo) URGENTE fazer uma CRÍTICA em relação a muitas das músicas cantadas por algumas bandas ou solo. Diante de tanta violência doméstica hoje e desde os primórdios (contra a mulher principalmente) e ao aumento do feminicídio no país e no planeta, espanta-nos ver CLUBES tão conceituados sendo coniventes com tais letras que não contribuem em nada pela evolução do ser humano, pela prática da paz, do respeito e do amor. Poderíamos usar muitos argumentos aqui para explicar melhor tudo isso, mas creio que vocês leitoras e leitores deste importante Jornal compreenderão tranquilamente a questão exposta. A melodia de muitas dessas músicas que colocam a mulher apenas como objeto de prazer ao homem, que enaltecem a traição, o sofrimento, a vingança, a bebida exagerada, o ódio, etc são geralmente chamativas, e isso atrai as pessoas. Neste momento estou me referindo ao que está mais próximo a mim: BAILES DE FORRÓ; não assisto à TV há bastante tempo e só ouço umas 3 estações de rádio (as poucas legais que sobraram sem doer e adoecer nossos ouvidos e cérebro) mas lá, ah, meus deuses! tá cada vez mais difícil ficar até o final de um baile ou ficar na pista de dança até o final da música. Sério, a gente passa vergonha pela forma com que as letras nos retratam, como se referem ao feminino, é tanto desrespeito e humilhação que embrulha o estômago e já cheguei a parar e largar o cavalheiro ali e aguardar a próxima. A melodia pode ser gostosa mas a mensagem é de uma hipocrisia assustadora. As pessoas (mulheres/homens) cantam e pulam e gritam em frente ao palco, mas eu mesma, confesso, demorei pra entender o que os “artistas estão cantando” e muitas delas ainda não entendi, então a gente não raciocina, vai sendo levado pela empolgação na lavagem cerebral do repeteco teco-teco na cabeça. Não sou puritana nem vibro nesta falsa moral e tabus que permeiam a sociedade; luto pela justiça, ética e amor, mas ainda consigo ter um mínimo de sabedoria pra distinguir as coisas e seus interesses ocultos. Vocês poderão (e estão) questionando: mas por que a Luzia vai lá, então? Eu lhes explico: fiquei quase uma década sem frequentar bailes e retomei há alguns meses com mais frequência, pois vc está na sua casa e decide se divertir, seus amigos também estão em suas casas e precisam arejar a vida, pois a dança nos [139]