LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
Luzia Stocco
Piracicaba/SP
Urgente: Músicas Nos Bailes De Forró (artigo)
URGENTE fazer uma CRÍTICA em relação a muitas das músicas cantadas por
algumas bandas ou solo. Diante de tanta violência doméstica hoje e desde os
primórdios (contra a mulher principalmente) e ao aumento do feminicídio no país
e no planeta, espanta-nos ver CLUBES tão conceituados sendo coniventes com
tais letras que não contribuem em nada pela evolução do ser humano, pela
prática da paz, do respeito e do amor.
Poderíamos usar muitos argumentos aqui para explicar melhor tudo isso,
mas creio que vocês leitoras e leitores deste importante Jornal compreenderão
tranquilamente a questão exposta.
A melodia de muitas dessas músicas que colocam a mulher apenas como
objeto de prazer ao homem, que enaltecem a traição, o sofrimento, a vingança, a
bebida exagerada, o ódio, etc são geralmente chamativas, e isso atrai as
pessoas. Neste momento estou me referindo ao que está mais próximo a mim:
BAILES DE FORRÓ; não assisto à TV há bastante tempo e só ouço umas 3
estações de rádio (as poucas legais que sobraram sem doer e adoecer nossos
ouvidos e cérebro) mas lá, ah, meus deuses! tá cada vez mais difícil ficar até o
final de um baile ou ficar na pista de dança até o final da música. Sério, a gente
passa vergonha pela forma com que as letras nos retratam, como se referem ao
feminino, é tanto desrespeito e humilhação que embrulha o estômago e já
cheguei a parar e largar o cavalheiro ali e aguardar a próxima. A melodia pode
ser gostosa mas a mensagem é de uma hipocrisia assustadora.
As pessoas (mulheres/homens) cantam e pulam e gritam em frente ao palco,
mas eu mesma, confesso, demorei pra entender o que os “artistas estão
cantando” e muitas delas ainda não entendi, então a gente não raciocina, vai
sendo levado pela empolgação na lavagem cerebral do repeteco teco-teco na
cabeça.
Não sou puritana nem vibro nesta falsa moral e tabus que permeiam a
sociedade; luto pela justiça, ética e amor, mas ainda consigo ter um mínimo de
sabedoria pra distinguir as coisas e seus interesses ocultos.
Vocês poderão (e estão) questionando: mas por que a Luzia vai lá, então? Eu
lhes explico: fiquei quase uma década sem frequentar bailes e retomei há alguns
meses com mais frequência, pois vc está na sua casa e decide se divertir, seus
amigos também estão em suas casas e precisam arejar a vida, pois a dança nos
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