Revista LiteraLivre 19ª edição | Page 126

LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020 Léa Costa Santana Dias Euclides da Cunha/BA Pedoflia A menina vestia rosa e sonhava. Ele, o amigo azul. – Não, não podiam. – Podiam, se amigos. – Sinto vergonha. Tenho medo. Não se preocupasse: era fácil. O consentimento: uma boca noutra boca. Uma só boca. Era doce, era néctar, era mel. Uma flor com pétalas cor de menina. Não se movesse: venda e algemas. Trêmula e rosada: ela Rijo e azul: ele. Uma boca noutra boca, outras bocas noutras bocas. Bocas, bocas, bocas. Túneis. O viajante: inteiro, com força. Rios. O navegante: completo, vertido em brasas. Explosão, liquidez. Ela: roubada, calada, tão dada. Aberta, descoberta. Flor rosada, visitada. Dele, para ele, só dele. A denúncia: calúnia! Difamação! Submetê-la a exame de corpo de delito?! Absurdo: não se toca em corpo tão puro. [123]