LiteraLivre Vl. 4 - nº 19 – Jan./Fev. de 2020
L. S. Danielly Bass
Marília/SP
GênErro
No meu nascimento o médico falou para minha mãe:
PARABÉNS, É MENINA!
Desde então eu fui rotulada,
como um produto no mercado,
Eu não podia sair sem ser etiquetada, mas,
olhando para meu código de barras e,
não entendendo nada,
me questionava, o que é menina?
Crescendo e escutando:
senta que nem menina,
fala que nem menina,
se comporte como uma menina,
menina não fala isso,
menina não faz aquilo...
Mas tinha algo que ninguém me falava,
o que é uma menina, o que é ser menina?
Escola; meninas, meninos,
não sabia o que era nenhum,
não sabia ser nenhum.
Eles me olhavam e falavam:
você parece um menino,
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