LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019
Marobah
Pouso Alegre/MG
O Enigma da Chave
Em um sexta-feira cinzenta, cenário de todos os inicios de contos
assombrosos, exatamente as 18:00, escutei um barulho em minha cozinha.
Como moro sozinha fiquei em estado de alerta e comecei a vasculhar não só a
cozinha como o meu apartamento inteiro.
Não encontrei ninguém, para o meu alivio. Comecei a arrumar a bagunça
que fiz durante minha perquirição e observei que em cima da mesa havia uma
carta. Com cuidado a peguei e procurei por um possível remetente, o qual não
existia. Como a curiosidade foi maior do que a sensatez resolvi abrir
meticulosamente o envelope, em vez de sair correndo do apartamento, e ao tirar
a carta encontrei uma chave.
A carta dizia em um tom pavoroso que eu deveria estar no jardim principal
da cidade as nove em ponto, portando a chave e a minha filmadora. E, como
todo mistério bem elaborado era imprescindível que eu fosse sozinha.
O sábado passou arrastado, assisti inúmeros filmes e seriados para o tempo
passar, passeei com meu gato, troquei as lâmpadas do banheiro, e nada de
chegar ao horário da carta. Quando finalmente deram 20:30 de um dia que
passou um mês para passar, eu já estava plantada no jardim esperando uma
pessoa, a qual não fazia ideia de como identificar.
Tentei ao máximo fingir que estava calma, tentando permanecer firme e
sem me mover, porém sempre que alguém passava por mim eu instintivamente
olhava à pessoa. Em algum momento eu distrai e quando percebi havia uma
polaroid no chão com a imagem de uma porta; e a primeira coisa que veio a
minha cabeça foi: quem ainda usa polaroid?
Comecei a procurar a porta que estava na foto que recebi. Foi então que
encontrei uma casinha muito simples e ao mesmo tempo muito macabra,
caminhei até ela e coloquei a chave, virei-a lentamente e entrei no escuro dando
pequenos passos e passando a mão na parede tateando um interruptor, quando o
achei levei um susto!
Várias pessoas estavam dentro da casa e gritaram “Feliz Aniversário” para
mim. O que mais me estranhou era que eu não conhecia aquelas pessoas e o
meu aniversário ainda demoraria mais dois meses, mas cavalo dado não se olha
os dentes.
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