Revista LiteraLivre 17ª edição | Page 197

LiteraLivre Vl. 3 - nº 17 – Set./Out. de 2019 Marobah Pouso Alegre/MG O Enigma da Chave Em um sexta-feira cinzenta, cenário de todos os inicios de contos assombrosos, exatamente as 18:00, escutei um barulho em minha cozinha. Como moro sozinha fiquei em estado de alerta e comecei a vasculhar não só a cozinha como o meu apartamento inteiro. Não encontrei ninguém, para o meu alivio. Comecei a arrumar a bagunça que fiz durante minha perquirição e observei que em cima da mesa havia uma carta. Com cuidado a peguei e procurei por um possível remetente, o qual não existia. Como a curiosidade foi maior do que a sensatez resolvi abrir meticulosamente o envelope, em vez de sair correndo do apartamento, e ao tirar a carta encontrei uma chave. A carta dizia em um tom pavoroso que eu deveria estar no jardim principal da cidade as nove em ponto, portando a chave e a minha filmadora. E, como todo mistério bem elaborado era imprescindível que eu fosse sozinha. O sábado passou arrastado, assisti inúmeros filmes e seriados para o tempo passar, passeei com meu gato, troquei as lâmpadas do banheiro, e nada de chegar ao horário da carta. Quando finalmente deram 20:30 de um dia que passou um mês para passar, eu já estava plantada no jardim esperando uma pessoa, a qual não fazia ideia de como identificar. Tentei ao máximo fingir que estava calma, tentando permanecer firme e sem me mover, porém sempre que alguém passava por mim eu instintivamente olhava à pessoa. Em algum momento eu distrai e quando percebi havia uma polaroid no chão com a imagem de uma porta; e a primeira coisa que veio a minha cabeça foi: quem ainda usa polaroid? Comecei a procurar a porta que estava na foto que recebi. Foi então que encontrei uma casinha muito simples e ao mesmo tempo muito macabra, caminhei até ela e coloquei a chave, virei-a lentamente e entrei no escuro dando pequenos passos e passando a mão na parede tateando um interruptor, quando o achei levei um susto! Várias pessoas estavam dentro da casa e gritaram “Feliz Aniversário” para mim. O que mais me estranhou era que eu não conhecia aquelas pessoas e o meu aniversário ainda demoraria mais dois meses, mas cavalo dado não se olha os dentes. https://marobah.wordpress.com/ @marobah_ [194]