Revista LiteraLivre 16ª edição | Page 227

LiteraLivre Vl. 3 - nº 16 – Jul./Ago. de 2019 — Joana, tudo bom? — Perguntou acompanhado por um enfermeiro alto e gordo. Janine ao adentrar o quarto Todavia Joana parecia emergida em pensamentos nebulosos de redundância cíclica. Capturada pela insanidade da ilógica atribuiu o contrário aquilo como numa mágica inversão. — Joana? — Perguntou novamente a mulher ao segurar a mão da jovem que rabiscava a parede com lápis de cera. — Preciso apenas que você responda algumas perguntas, consegue se focar um pouco em mim? Por acaso você conhece esse homem? — Terminou mostrando-lhe a foto de Wilson Mattos. A jovem paralisou momentaneamente e repentinamente a fitou dentro dos olhos e em seguida a foto. Seus olhos então giraram as órbitas quase saltando- lhe do rosto quando ela murmurou. — Era ele a teofania? Ele não é um deus, mas um mortal que mata perpetuando sua condição de modo execrável. — O anjo do abismo! — Exclamou num vociferar desgrenhando para bater no próprio rosto já cortado por suas próprias unhas. O enfermeiro a segurou durante o surto em que fora em consequência de um contato íntimo com aquele mostro. Não disse algo muito coeso, mas para Janine era o suficiente para um mandado de buscas em sua residência, algo que fora negado pelo juiz levando-a buscar um meio de pega-lo em flagrante. Enquanto aguardava aquilo Janine pesquisou na deep web sobre o serial killer. Os fóruns do submundo onde segundo um hacker que era seu informante ele encontrava adeptos, promovia receitas de culinárias com carne humana. Ao adentrar no site da delegacia com a segurança legal passou-se pelo nick 'Inocence Doll' o qual segundo alguns usuários aparentemente conseguira um encontro com o homem. Ele seria num banheiro público onde diziam que ele fazia tocaia no fim da noite onde poderia marcar com potenciais seguidores ou mesmo vítimas que destituídas de bom senso e amor próprio se propusessem serem comidas como que condicionadas por uma hipnose maligna. Sutilmente Janine adentrou o banheiro na surdina noturna. Com discrição aguardava o horário preciso em que o homem supostamente viria a seu encontro. Ajeitou a mecha de seu cabelo cacheado e respirou fundo na angustia da expectação. Quando chegou a hora ela viu um vulto que se esgueirando-se pela porta parecia pouco mais que a sombra de um cão fila. Tão logo as luzes do banheiro piscaram até que se apagaram, hesitante, Janine sacou a arma de 224