LiteraLivre Vl. 3 - nº 16 – Jul./Ago. de 2019
Metamorfose
Ricardo Ryo Goto
São Paulo/SP
“-O perispírito é sensível ao poder do pensamento e os espíritos que possuem
agilidade mental conseguem plasmá-lo, dando-lhe as mais diferentes formas;o
perispírito pode ser condensado ou sutilizado, restringido ou ampliado... é o
fenômeno da transfiguração espiritual.”- Do outro lado do espelho – Inácio
Ferreira.
“Na tua luta contra o resto do mundo aconselho-te que te ponhas do lado do
resto do mundo”- Franz Kafka
Não há maneira de se mudar o mundo senão transformando-se a si
próprio.
Mudá-lo de forma consistente, duradoura, bem entendido.
Desde as mais antigas religiões, filosofias e prescrições de livros de auto-
ajuda, este é o mote mais repetido entre as questões básicas existenciais do ser
humano.
Por que ? Porque, para ser feliz ou infeliz, ter sucesso ou insucesso, ter
prestígio ou má fama, é preciso mudar. Até mesmo para manter as coisas como
estão é preciso mudar.
A lei da evolução das espécies diz que, para sobreviver num novo meio
ambiente, os seres vivos adaptam-se por meio de mutações genéticas, ou seja,
modificações em sua estrutura orgânica. Com isso, aqueles que já se tornaram
mais aptos, sobrevivem,os demais perecem.
O ser humano, hoje, não precisa passar por alterações genéticas para
garantir sua adaptabilidade aos ambientes mais hostis. Ele próprio os transforma,
tornando-os mais adequados a suas necessidades. Sua mutação é cultural, isto é,
muda a forma de fazer as coisas.
Mas a cultura tem um inconveniente: a cada solução encontrada um novo
problema é criado, e por isso nos tornamos eternos mutantes.
No que se refere ao relacionamento com outros humanos, isto é evidente.
Se tenho problemas de convivência com meus familiares, colegas de
trabalho e de escola, vizinhos e outros que tais, pouco posso fazer para alterar
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