Revista LiteraLivre 15ª edição | Page 194

LiteraLivre Vl. 3 - nº 15 – Mai./Jun. de 2019 Silêncio Clarice de Assis Rosa Ituiutaba-MG Jane levantou-se animada naquela manhã, já planejando a sua aula e lembrando-se do rostinho de cada aluno seu. Como ela gostava de crianças e como ela desempenhava seu papel de professora com prazer. Estar com eles a fazia esquecer todos os outros problemas; os dissabores com o marido, as dificuldade que enfrentava com seu filho adolescente. Naquele momento tudo era alegria; preparava muitas dinâmicas, gostava de conversar, cantar, brincar com seus meninos em sala de aula. Fazia o que realmente gostava e eles adoravam- na por isso. Enxergavam-na muito além que uma simples professora. Da mesma forma que ela ansiava em estar com eles, estes também não viam a hora de ir à escola. Eram crianças que tinham entre 5 e 7 anos de idade.Muitos não tinham atenção em casa, os pais estavam sempre ocupados, trabalhando ou simplesmente não tinham tempo para perder com os filhos; outros eram hostilizados em casa e necessitando de carinho, cuidado, alguém que pelo menos os escutassem, desejavam estar logo com a tia Jane.. Jane sempre os tratava com individualidade, conversando com aquele aluno mais quietinho, reprimido, que parecia triste, mas querendo se abrir e deixando de lado por alguns momentos aquele que, sentado no fundo da sala, com muita rebeldia e agressividade, tratava mal aos colegas e à professora, quando esta tentava aproximar-se. Para esses ela usava uma metodologia diferenciada, e conhecia o momento oportuno de se aproximar; ouvia com atenção os alunos queixosos, reclamando de algum problema em casa e sempre tentava minimizar a situação, explicando da forma que fosse menos traumática para a idade da criança. E assim as aulas eram sempre prazerosas e rendiam. Jane conseguia fazer com quem seus alunos aprendessem brincando, sem que nada fosse imposto como obrigação. Sentira como se tivesse nascido pra isso e a cada aula era uma surpresa diferente, conforme a espontaneidade de cada um.E ela adorava isso. - Tia, hoje meu pai brigou com minha mãe, falando que ela tinha um amante, o que é um amante? - Gabi, às vezes, as pessoas adultas têm momentos de raiva e não pensam antes de falar as coisas. Certamente, seu pai deveria estar chateado com algum problema no trabalho ou em casa e acabou falando coisas que não deveria ter falado. E sendo sua mãe a pessoa mais próxima dele, acaba sobrando pra ela. Mas não dê importância, são assuntos de gente grande e todos nós temos problemas, você também não fica chateada com algum colega às vezes, e fala 191