LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Um Solfejo em Tom Menor
Maurício Régis
Camassandí/BA
Na descortinada quarta-feira
Veio solfejar um beija-flor.
Que inquiriu a queixa,
Fanfarreando-se de uma flor.
Soprou-se fraca à cortesia,
Ainda que de uma parte.
Vez por outra renderia
A versalização se sobrasse.
Forçosa ideologia arranhada
De sobre uns cabelos.
Quão desmistificada, apagada;
Uma arrumação de cinzeiros.
Tiniria a pedra envelhecida
Do monte inventado pelo solo.
Sinuosa tentação atrevida,
Alucinógeno: aliança do ópio.
Veja mais clara à avenida,
Além de algazarras dos automóveis.
Lamparina de remendos e faísca,
Pedaços de aposento de móveis.
Em cada asfalto uma pendência,
Nos sinistros dos absurdos
A temível condolência
Em corrosíveis moribundos.
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