LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Prolixo Pro lixo
Leonardo Cardeal da Costa
Osasco/SP
Para cada explicação metida a elaborada, a hermenêutica
Nós escrevemos o imaginado com visão poética
Para cada aprovação fajuta, se faz um beneplácito
Nós apontamos o autêntico e o cito
Para cada enrolação em fazer o correto a ética, encontra-se o cuntatorio
Nós construímos o justo para o projeto civilizatório
Para cada falta de comoção aos pares, surge o emperdenido
Nós abraçamos a emoção ao meu próximo unido
Para cada presunção rotineira que nada é contente, aparece o filaucioso
Nós julgamos o festivo cotidiano gracioso
Para cada pensamento perverso sobre a felicidade, concretiza-se o horrípilo
Nós sonhamos a maravilha no melhor estilo
Para cada alusão inofensiva a vida, nos evidência o inócuo
Nós enfrentamos o perecer e não recuo
Para cada fala demasiada e sem necessidade, remete-se o loquaz
Nós desenhamos o simples e o belo no cartaz
Para cada mentira por causa própria, vem o mendacioso
Nós nos mostramos o genuíno para ser atencioso
Para cada ódio guardado contra a alegria, rompe-se o odiento
Nós sorrimos a euforia para o encantamento
Para cada podridão em relação ao fraterno, cheira-se o putrefato
Nós exalamos a paixão para ser grato
Para cada descrédito nos sonhos possíveis, sobra-se as quimeras
Nós exclamamos os quereres que há primaveras
Para cada esconderijo do bem, ilumina-se o recôndito
Nós olhamos o certo para o lado inédito
Para cada erudição falsa a paz, traz a sumidade
Nós propomos a harmonia de prosperidade
Para cada comportamento ofensivo contra o amor, chama-se o vitupério
Nós beijamos o afeto por meus critérios
Para cada rodeio de palavras tristes, depara-se o tergiversar
Nós gritamos o prazer animado a versar.
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