Revista LiteraLivre 14ª edição | Page 162

LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019 Prolixo Pro lixo Leonardo Cardeal da Costa Osasco/SP Para cada explicação metida a elaborada, a hermenêutica Nós escrevemos o imaginado com visão poética Para cada aprovação fajuta, se faz um beneplácito Nós apontamos o autêntico e o cito Para cada enrolação em fazer o correto a ética, encontra-se o cuntatorio Nós construímos o justo para o projeto civilizatório Para cada falta de comoção aos pares, surge o emperdenido Nós abraçamos a emoção ao meu próximo unido Para cada presunção rotineira que nada é contente, aparece o filaucioso Nós julgamos o festivo cotidiano gracioso Para cada pensamento perverso sobre a felicidade, concretiza-se o horrípilo Nós sonhamos a maravilha no melhor estilo Para cada alusão inofensiva a vida, nos evidência o inócuo Nós enfrentamos o perecer e não recuo Para cada fala demasiada e sem necessidade, remete-se o loquaz Nós desenhamos o simples e o belo no cartaz Para cada mentira por causa própria, vem o mendacioso Nós nos mostramos o genuíno para ser atencioso Para cada ódio guardado contra a alegria, rompe-se o odiento Nós sorrimos a euforia para o encantamento Para cada podridão em relação ao fraterno, cheira-se o putrefato Nós exalamos a paixão para ser grato Para cada descrédito nos sonhos possíveis, sobra-se as quimeras Nós exclamamos os quereres que há primaveras Para cada esconderijo do bem, ilumina-se o recôndito Nós olhamos o certo para o lado inédito Para cada erudição falsa a paz, traz a sumidade Nós propomos a harmonia de prosperidade Para cada comportamento ofensivo contra o amor, chama-se o vitupério Nós beijamos o afeto por meus critérios Para cada rodeio de palavras tristes, depara-se o tergiversar Nós gritamos o prazer animado a versar. 159