LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019
Mordida de Silêncio
Jullie Veiga
São Luís/MA
A incansável boca do silêncio
Mordeu-me feroz...
Mordida de silêncio
É coisa [calada] que entontece
Nem sempre doída
Que chega sem avisar
E vai sequestrando as falas
Mordida de silêncio é coisa quieta
Mora nas observâncias
Cede espaços para o nada
E nada posso fazer
Mordida de silêncio
É coisa quase imparável
Quão demasiada
Atando-me nós
Mordida de silêncio
É coisa também cinza
- e, às vezes, nada cortês -
Cruzando as pinturas do meu dia
Através [até] das passagens secretas
Mordida de silêncio
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