Revista LiteraLivre 14ª edição | Page 113

LiteraLivre Vl. 3 - nº 14 – Mar./Abr. de 2019 Mordida de Silêncio Jullie Veiga São Luís/MA A incansável boca do silêncio Mordeu-me feroz... Mordida de silêncio É coisa [calada] que entontece Nem sempre doída Que chega sem avisar E vai sequestrando as falas Mordida de silêncio é coisa quieta Mora nas observâncias Cede espaços para o nada E nada posso fazer Mordida de silêncio É coisa quase imparável Quão demasiada Atando-me nós Mordida de silêncio É coisa também cinza - e, às vezes, nada cortês - Cruzando as pinturas do meu dia Através [até] das passagens secretas Mordida de silêncio 110