LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
Yolanda
Rodiney da Silva
São José dos Campos/SP
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Yolanda, acho que te amo.
U-hum…
Não acredita?
Não.
Por quê?
Você me deu um tapa…
Ora, mas aquilo foi tesão.
Se despediu e saiu. Chegou em casa. Silêncio. A mulher ainda mantinha-se
muda. Foi ao quarto, tirou a roupa e tomou uma ducha. Na sala, a mulher com
olhar distante não via a novela que passava na tevê. Foi à cozinha, mexeu nas
panelas, serviu e esquentou no micro-ondas. Era irritante o silêncio. Ouvia com
agonia o garfo bater no fundo do prato, a comida sendo mastigada e engolida, o
som de dente roendo unha. Resolveu manter o jogo do silêncio. Foi ao quarto,
pegou o notebook, leu as notícias. Pegou o celular, duas mensagens de Yolanda.
Pensou em acessá-las, desistiu. Foi ao banheiro, escovou os dentes, voltou para
a cama, pegou o celular e leu as mensagens de Yolanda: “Desculpe...” e “Se
puder, vem me ver...” Voltou para a sala e a mulher chorava um choro de gente
distante. Sentou-se ao seu lado, tocou-lhe a mão, ela a recolheu. A mulher
desligou a tevê com o controle remoto, levantou-se, foi à cozinha, bebeu água e
foi para a cama. Ele a seguiu com os olhos e depois a seguiu até a cama. Ela
ainda chorava e ele se despia. Ela se virou, ele deitou e a abraçou. Estava fria e
gelada. Estava distante. Não havia tesão. Ela dormiu. Ele se levantou, se vestiu e
saiu.
- Você veio…?
- Sim, Yolanda, eu acho que te amo.
- Entra.
Ele entrou.
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