LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019
Muitas curtidas, muitos comentários nas fotos tiradas em momentos que
deveriam ser vividos, mas não foram, olhares que deveriam ser trocados, não
capturados por uma câmera de celular, abraços copiosos, fugazes.
- Adorei a nossa viagem, é sempre muito bom estar com você.
- Também gostei muito de estar com você todos esses dias, mas acho que agora
devemos conversar, como eu te disse, você está diferente comigo, distante.
- Se você acha isso, não posso fazer nada, já te disse que estou te tratando
normalmente.
-Faz três anos que estamos juntos e até hoje não conheço os seus pais.
- Ah, então esse é o problema? Eu já falei de você pra eles, já mostrei fotos, eles
nos acompanham nas redes sociais, não estou escondendo você de ninguém,
você mesmo já viu comentários deles.
- Sim, mas você nunca fez questão de me levar até a casa deles, me apresentar
como seu namorado.
-Não entendo o porquê dessa cobrança agora, mas acho melhor darmos um
tempo.
Silêncio. Faz parte das relações superficiais os jogos sentimentais, onde um
espera que o outro insista, sofra, corra atrás. Parece ser mais fácil do que tentar
resolver as diferenças racionalmente.
- Débora, ele vai vir atrás, pode olhar a página dele, deve ter fotos e mensagens
com indiretas pra mim.
Mensagens de sofrimento, de amor, tanto nas redes sociais de um quanto de
outro. Muitas postagens de arrependimento, de destino, união. Vários amigos
curtiam, comentavam que eles formavam um lindo casal, que deveriam
reconciliar-se, que não valia a pena romper por motivos tão fúteis.
Nenhuma palavra dita, nenhum encontro, nenhuma ligação.
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