Revista LiteraLivre 13ª edição | страница 142

LiteraLivre Vl. 3 - nº 13 – Jan/Fev. de 2019 Prece Isabel C S Vargas Pelotas/RS Aparentemente, o dia seria igual aos demais.Clotilde já sabia o que iria ocorrer. Levantar, tomar seu café bem simples, sem leite e com uma fatia de pão única, sem direito a repetição. Arrumar sua cama, no quartinho do fundo da casa que a filha, generosamente, cedia para ela. Era sua única filha. Quando jovem, conheceu Juvenal, seu marido com quem viveu até que ele faleceu vítima de um câncer. Ele não a deixara trabalhar fora. Também, não sabia se conseguiria. Casara cedo e sem profissão definida. Não passara do ensino ginasial. Quando o marido faleceu teve de ir morar com a filha, pois não conseguiria pagar o aluguel, mesmo na periferia porque a pensão que recebia era irrisória. Na casa da filha sentia-se um estorvo. Elas pouco se falavam. O marido dela era um jovem de seus trinta e cinco anos que era de meias palavras, pouca afetividade e muita ambição. A vida era meio apertada. A filha, a exemplo dela, não trabalhava fora, por vontade dele. Vivia reclamando do custo de vida, que tinha que aumentar o orçamento e foi em função disso que ele passou a colocar no orçamento da casa sua pensão. Já decorreram quatro anos desde que ela passou a não dispor de dinheiro. Então, ficava em casa, sem amigos, sem carinho, sem lazer. Ajudava na organização da casa, mas sem muito participar, opinar ou receber qualquer coisa que demostrasse que gostavam de sua presença. 138