CONTO
J O Ã O V I C T O R D O S S A N T O S , L E O N A R D O S I Q U E I R A N O L A S C O,
N AYA R A N A S C I M E N T O F R A N C E S C O E W E S L E Y G O M E S D E O L I V E I R A
Alunos do 2º JOR – A
E
Em 1940, começa a ocupação nazista em Paris. A
Segunda Guerra faz parte do cotidiano parisiense. A
morte parece uma sombra à espreita de cada cidadão.
Julie e Annie, irmãs gêmeas de 8 anos, vivem no caos
em Paris. Apesar das dificuldades, conseguem tirar
alegria dos breves momentos juntas.
Após a morte de seus pais, passaram a viver com os tiosavós. Quase sempre ficavam sozinhas em casa, pois os adultos
eram obrigados a trabalhar na maior
parte do tempo.
As meninas adoravam brincar
de esconde-esconde. Um dia, em
uma dessas brincadeiras, Julie não
conseguiu encontrar Annie. Uma
mistura de preocupação, medo e
desespero tomou conta da garota.
Sem a irmã e com tão pouco contato
com os tios, ela estaria sozinha.
Julie passou o dia à procura
de Annie. Procurou nas ruas, nos
quintais dos vizinhos. Revirou a
casa toda. E nada. A garota já estava a ponto de simplesmente parar e
chorar, quando, ao passar pelo espelho do corredor, percebeu algo estranho. Os movimentos de seu reflexo
eram parecidos, mas não idênticos
aos que ela fazia.
No momento em que tocou a própria imagem projetada, o espelho trincou. E continuou trincando, até que, de dentro da moldura, caiu uma
pequena bolsa em forma de coração. Ela ainda olhava assustada para o espelho e para a bolsa, quando a voz da irmã soou em
seus ouvidos:
“Guarda-roupa”, dizia, em tom baixo e sombrio.
Apesar do medo, um fiapo de felicidade brilhou no coração
de Julie. Ela pensou:
“Guarda-roupa: o único lugar onde eu não procurei.”
26
RE V I S TA KA KI
A garota pegou a bolsa e correu para o quarto. Já preparada
para dar um abraço na irmã, correu para o armário e o abriu. Estava
vazio. Ela não entendeu nada. Annie tinha de estar ali! Que recado
teria sido aquele, dado pela voz da irmã?
Foi então que Julie lembrou:
“A bolsa!”
Abriu-a no mesmo instante. Lá dentro havia uma pequena
chave. Julie olhou em volta. Procurou, procurou, mas não viu
nada a ser destrancado. Até que,
de repente, algo brilhou dentro do
armário. Era uma fechadura. Julie
enfiou a chave a girou.
Assim que o fundo do armário
se abriu, a garota ficou deslumbrada. Do lado de lá, havia um campo
cheio de árvores e pássaros cantando. O céu estava de um azul intenso.
Lindo! O paraíso!
Annie estava logo atrás da
primeira árvore, chamando por Julie. As duas se abraçaram. Julie queria entender o que estava acontecendo. Mas Annie só estava interessada
em brincar. E assim passaram o dia:
correndo no campo.
Enquanto brincavam, ouviram
um forte estrondo, como uma bomba explodindo. No mesmo instante,
os pássaros voaram. Houve um
clarão e, ao mesmo tempo, uma dor
horrível na cabeça, como um puxão
bem forte nos cabelos.
Quando as duas abriram os olhos, viram o teto da casa. Ainda sem entender direito, se deram conta que estavam estiradas no
chão. O armário havia caído logo abaixo de seus pés. Soldados
apontavam canos de espingardas bem perto de seus rostos.
A brincadeira havia acabado.