Adevoção ao Divino Espírito Santo está presente em várias religiões que celebram o cristianismo. No entanto, não é difícil encontrar, Brasil adentro e mundo afora, povos das mais diversas crenças com fé no Divino. Em Mogi das Cruzes, cidade do Alto Tietê paulista, a festa em homenagem ao Divino é uma das maiores do País: dura 11 dias, envolve mais de 3 mil voluntários e recebe cerca de 400 mil visitantes por edição. Os dados são da Associação Pró-Divino e podem ser conferidos no link www. festadodivino. org. br.
HISTÓRICO E COMPOSIÇÃO
Se fosse hoje, João de Morais Navarro teria tomado uma ducha e mandado uma mensagem no grupo do Whatsapp:“ tô indo pro Divino”. Com certeza daria um check-in no Facebook e depois tiraria uma selfie no Instagram com a hashtag“# Divino”.
A origem da Festa do Divino está no Dia de Pentecostes, citado na Bíblia. Ele era comemorado pelos israelitas depois de 50 dias da Páscoa. Pesquisadores afirmam que entre os hebreus a data também era comemorada, para marcar o fim da colheita do trigo. Ela se tornou no que conhecemos hoje por causa dos ensinamentos do abade Joaquim de Fiori, que pregava que a última fase da história seria a do Espírito Santo.
A importância econômica também é grande. Mais de 20 entidades beneficentes se envolvem com a Festa, arrecadando, juntas, mais de R $ 1 milhão. O dinheiro é utilizado, entre outras coisas, para compra de equipamentos e suprimentos, reformas e melhorias na estrutura das entidades, que sem esta oportunidade, dificilmente teriam condições realizar tais intervenções.
No século XIV a Festa já estava incorporada à Igreja em Portugual, como festividade religiosa oficial. As tradições foram trazidas ao Brasil com a colonização e estima-se que desde o século XVII a Festa tem grande participação popular em terras tupiniquins.
Mas João Navarro não nasceu na era digital, e portanto as coisas eram bem diferentes. O ano era 1723, o mês era maio e o dia era 19. Mas não era apenas um dia normal aqui no Brasil colonial, era dia da Festa do Divino Espírito Santo.
João Navarro era capelão provavelmente tomou um banho em uma banheira, já que estava frio para tomar banho no rio, passou uma água de cheiro e colocou a melhor roupa. Mandou prepararem a carroça e antes de sair escreveu uma carta ao governador da Capitania de São Paulo.
Entre outras coisas, o capelão contava que estava indo à“ Festa do Santíssimo Espírito Sancto”, na Villa de Jundiahy. Essa carta, publicado pelo Arquivo do Estado é o primeiro registro da Festa do Divino aqui na região.
Pesquisadores dizem que a Vila de Mogi das Cruzes surgiu bem antes que a Vila de Jundiaí e, portanto, a Festa em Mogi teria mais tradição. O mais legal é que essa tradição não se perdeu no tempo e ainda hoje os festeiros preparam tudo como manda a regra.
14 REVISTA KAKI