Papo Técnico 2
Uma vez que a quantidade de água excedeu o nível máximo para permanecer
dissolvida, o óleo lubrificante fica saturado. Neste ponto, a água fica suspensa no óleo
lubrificante em forma de gotículas e é conhecida como emulsão. Isto é similar a um nevoeiro
que se forma em um dia frio de inverno. Neste caso, a quantidade de umidade no ar excedeu
o Ponto de Saturação, resultando em uma suspensão de pequenas gotículas de umidade que
chamamos de cerração . Em um óleo lubrificante este “nevoeiro” é frequentemente conhecido
como névoa e diz-se que o óleo lubrificante, nesta situação, está aspecto turvo ou com
turbidez. Em um sistema de lubrificação, os dois estados mais danosos são a água livre e a
água emulsificada. Em mancais de deslizamento, por exemplo, a incompressibilidade da
água em relação ao óleo lubrificante pode resultar em uma perda do filme hidrodinâmico da
película de óleo lubrificante que, por sua vez, levará ao desgaste prematuro. Pequenas
quantidades de água ( ex. 1% ) pode reduzir a expectativa de vida de um mancal de
deslizamento em 90%. Para mancais de elementos rolantes a situação é bastante pior. A
água livre ou emulsificada não, somente, destruirá a resistência do filme de óleo lubrificante
como também, nas elevadas temperaturas e pressões geradas na zona de carga de um
mancal de elementos rolantes, poderá gerar uma vaporização instantânea ( flash ) levando
ao desgaste erosivo.
Sob certas condições, moléculas de água podem ser rompidas em seus
constituintes, átomos de hidrogênio e de oxigênio, como resultado das altas pressões
geradas na zona de carga de mancais de elementos rolantes. Em face de seu tamanho
relativamente pequeno, os íons de hidrogênio produzidos neste processo podem absorver-se
pela superfície das pistas dos mancais de rolamento resultando em um fenômeno conhecido
como fragilização por hidrogênio ( embrittlement ) , uma mudança sub-superficial na
metalurgia no metal da pista. A fragilização por hidrogênio ( embrittlement ) leva o material da
pista do mancal de rolamento a tornar-se frágil ou quebradiço e propenso a apresentar
fraturas abaixo da superfície da pista. Quando estas fraturas sub-superficiais se espalham
para a superfície os resultados podem ser pittings e escamações.
Pelos efeitos causados, a presença de água livre ou emulsionada é muito mais danosa em
comparação à da água dissolvida e o proceder sábio é manter-se os níveis de umidade nos
óleos lubrificantes bem abaixo do Ponto de Saturação. Para a maioria dos óleos lubrificantes
em serviço, isto significa manter a contaminação por umidade entre 100 ppm - 300 ppm e,
dependendo do tipo do óleo lubrificante e da temperatura, em níveis mais baixos. Contudo,
mesmo mantendo-se os níveis de umidade na faixa de 100 ppm – 300 ppm danos
significativos podem ocorrer nos elementos de máquinas que estiverem operando com óleos
lubrificantes com estes teores de contaminação por água. A bem da verdade pode-se dizer
que não existem níveis toleráveis de contaminação por água e todos os esforços razoáveis
devem ser realizados para que se mantenha a contaminação dos óleos lubrificantes por água
tão pequena quanto possível.
Continua na próxima edição
Fonte: IND NEWS
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