Revista Julho | Page 8

Papo Técnico 2 Uma vez que a quantidade de água excedeu o nível máximo para permanecer dissolvida, o óleo lubrificante fica saturado. Neste ponto, a água fica suspensa no óleo lubrificante em forma de gotículas e é conhecida como emulsão. Isto é similar a um nevoeiro que se forma em um dia frio de inverno. Neste caso, a quantidade de umidade no ar excedeu o Ponto de Saturação, resultando em uma suspensão de pequenas gotículas de umidade que chamamos de cerração . Em um óleo lubrificante este “nevoeiro” é frequentemente conhecido como névoa e diz-se que o óleo lubrificante, nesta situação, está aspecto turvo ou com turbidez. Em um sistema de lubrificação, os dois estados mais danosos são a água livre e a água emulsificada. Em mancais de deslizamento, por exemplo, a incompressibilidade da água em relação ao óleo lubrificante pode resultar em uma perda do filme hidrodinâmico da película de óleo lubrificante que, por sua vez, levará ao desgaste prematuro. Pequenas quantidades de água ( ex. 1% ) pode reduzir a expectativa de vida de um mancal de deslizamento em 90%. Para mancais de elementos rolantes a situação é bastante pior. A água livre ou emulsificada não, somente, destruirá a resistência do filme de óleo lubrificante como também, nas elevadas temperaturas e pressões geradas na zona de carga de um mancal de elementos rolantes, poderá gerar uma vaporização instantânea ( flash ) levando ao desgaste erosivo. Sob certas condições, moléculas de água podem ser rompidas em seus constituintes, átomos de hidrogênio e de oxigênio, como resultado das altas pressões geradas na zona de carga de mancais de elementos rolantes. Em face de seu tamanho relativamente pequeno, os íons de hidrogênio produzidos neste processo podem absorver-se pela superfície das pistas dos mancais de rolamento resultando em um fenômeno conhecido como fragilização por hidrogênio ( embrittlement ) , uma mudança sub-superficial na metalurgia no metal da pista. A fragilização por hidrogênio ( embrittlement ) leva o material da pista do mancal de rolamento a tornar-se frágil ou quebradiço e propenso a apresentar fraturas abaixo da superfície da pista. Quando estas fraturas sub-superficiais se espalham para a superfície os resultados podem ser pittings e escamações. Pelos efeitos causados, a presença de água livre ou emulsionada é muito mais danosa em comparação à da água dissolvida e o proceder sábio é manter-se os níveis de umidade nos óleos lubrificantes bem abaixo do Ponto de Saturação. Para a maioria dos óleos lubrificantes em serviço, isto significa manter a contaminação por umidade entre 100 ppm - 300 ppm e, dependendo do tipo do óleo lubrificante e da temperatura, em níveis mais baixos. Contudo, mesmo mantendo-se os níveis de umidade na faixa de 100 ppm – 300 ppm danos significativos podem ocorrer nos elementos de máquinas que estiverem operando com óleos lubrificantes com estes teores de contaminação por água. A bem da verdade pode-se dizer que não existem níveis toleráveis de contaminação por água e todos os esforços razoáveis devem ser realizados para que se mantenha a contaminação dos óleos lubrificantes por água tão pequena quanto possível. Continua na próxima edição Fonte: IND NEWS 8