Revista Febase 86 - Outubro 2018 Revista Febase 86 | Page 5
RX da Banca
S
MAIS BANCÁRIOS
Face ao tumulto que o setor atravessava, a necessária re-
dução de custos seguiu desde logo a medida prevista na
“bíblia” da troika – aliás, imposta pela DGCom para o aval à
recapitalização: redução dos quadros de efetivos.
Quase todos os bancos reduziram o número de trabalha-
dores, num volume nunca visto. Através de reformas ante-
cipadas, rescisões de contrato (aquelas saídas denominadas
“mútuo acordo” mas que levam o elo mais fraco a aceitar
sem vontade) ou despedimentos coletivos, 19% da força de
trabalho desapareceu entre 2010 e 2016.
Ou seja, dos 56.844 bancários em 2010, apenas 46.069 con-
tinuavam no setor em 2016. Por outras palavras, 10.775 tra-
balhadores deixaram o setor. E, sublinhe-se, estes números
excluem o Banco de Portugal e a CGD.
E eis que chega 2017, o primeiro ano que apresenta um saldo
positivo no emprego. A 31 de dezembro, a banca tinha 46.364
trabalhadores, mais 295 do que no mesmo período de 2016. No
entanto, a variação entre 2010 e 2017 representava ainda -18% de
trabalhadores, ou seja menos 10.480 trabalhadores.
Três das maiores instituições, pelo contrário, seguiram a
tendência de redução de efetivos: BCP, Novo Banco e BPI.
Entre eles, o BPI foi o que mais reduziu no ano passado: 561
trabalhadores (10% da força de trabalho). Relativamente a
e os números nos dizem alguma coisa, os dados da
Associação Portuguesa de Bancos (APB) relativos a 2017
espelham uma ligeira inversão da tendência de des-
truição de postos de trabalho, com o crescimento do em-
prego em 1%, ou seja, mais 295 efetivos do que em 2016.
Se formos realistas, é uma ínfima gota num oceano de
rescisões e despedimentos coletivos que retiraram da banca
10.480 bancários entre 2010 e 2017. Mas poderá significar um
novo rumo…
A banca a operar em Portugal, em 2010, passava quase in-
cólume pela crise que assolou os mercados globais e teve
o epicentro precisamente nos grandes colossos financeiros.
Resistiu sem falências, sem nacionalizações em massa (o
BPN foi um caso especial), insolvências ou sequer degrada-
ção acentuada dos rácios médios de solvência. E em muitos
casos os lucros, embora mais moderados, voltaram a abri-
lhantar os resultados.
Depois foi o descalabro. A banca nacional entrou em rota-
ção livre com resultados muito negativos, perda de negócio,
fragilidade de capital e má gestão. Os desaires sucederam-
-se: o BES implodiu, o Banif foi comprado à beira da falên-
cia e as grandes instituições a precisaram de ser salvas, com
o apoio do Estado para a recapitalização. Alguns dos ban-
cos estrangeiros retiraram-se do mercado nacional, como o
Barclays e o Popular, que foi integrado no Santander.
QUEM SÃO OS TRABALHADORES DA BANCA
BANCA
Total de Empregados
Por Funções
Chefias
Específicas
Administrativas
Auxiliares
Por Género
Homens
Mulheres
Por Idades
Até 44 anos
Mais de 44 anos
Por Antiguidade
Até 15 anos
Mais de 15 anos
Por Vínculo Contratual
Efetivos
Contratados a prazo
2010
2016
2017
N.º % N.º % N.º %
56.844 100% 46.069 100% 46.364 100%
13.850
24% 11.773
26% - -
21.598
38%
22.557
49% - -
20.657
36%
11.308
25% - -
739
1% 431
1% - -
30.611 54% 23.496 51% 23.457 51%
26.233 46% 22.573 49% 22.907 49%
38.162 67%
25.288 55%
24.736 53%
18.682 33%
20.781 45%
21.628 47%
32.849 58%
19.760 43%
19.790 43%
23.995 42%
26.309 57%
26.574 57%
54.226 95% 45.267 98% 45.510 98%
2.618 5%
802 2%
854 2%
VARIAÇÃO
VARIAÇÃO
2016/2010
2017/2010
N.º %
N.º %
-10.775 -19%
-10.480 -18%
-2.077
-15% - -
959
4% - -
-9.349
-45% - -
-308
-42% - -
-7.115 -23% -7.154 -23%
-3.660 -14% -3.326 -13%
-12.874 -34%
-13.426 -35%
2.099 11%
2.946 16%
-13.089 -40%
-13.059 -40%
2.314 10%
2.579 11%
-8.959 -17% -8.716 -16%
-1.816 -69%
-1.764 -67%
FEBASE | outubro | 2018 – 5
VARIAÇÃO
2017/2016
N.º %
295
1%
- -
- -
- -
- -
-39 0%
334 1%
-552 -2%
847 4%
30
0%
265
1%
243 1%
52
6%