Revista Febase 86 - Outubro 2018 Revista Febase 86 | Page 24

NOTÍCIAS SBC BANCÁRIOS DO CENTRO bancários têm sido esvaziados de direitos fundamentais arduamente conquistados, em manifesto atropelo aos ideais da demo- cracia, quantas vezes sem aparente razoa- bilidade, num retrocesso sem memória no respeito pelo seu ativo mais valioso. Tenhamos, a título exemplificativo, a nego- ciação para a revisão das tabelas salariais do ACT, em que têm sido apresentadas, como é do conhecimento público, pelo grupo ne- gociador das Instituições de Crédito, torpes propostas que não podem deixar de ser consideradas frustrantes e atentatórias da dignidade dos bancários, no contexto da realidade de crescimento da atividade e lu- cros, muito por conta do esforço e dedicação daqueles a quem agora se oferecem “nicas”. O nosso Sindicato sempre se pautou por respeitar os compromissos para com os bancários e ao escolher a via da nego- ciação iria enfrentar, conscientemente, um processo labiríntico para o qual não pode 5 de outubro de 1910, mais que um dia, uma vontade! Os trabalhadores bancários têm sido esvaziados de direitos fundamentais arduamente conquistados, em manifesto atropelo aos ideais da democracia Texto | Eduardo Alves* A História mostra-nos que a implanta- ção da República não se fez num só dia, revelando-nos um processo, longo, que terá começado ainda no Séc. XIX, com o surgimento, na população, em es- pecial em algumas elites, da vontade de mudar o regime, em resultado de um pe- ríodo de condensação de um contexto de crise multidimensional em que se registou o declínio da Monarquia constitucional e o arrepio do caminho, de certo modo im- piedoso, que conduziu à República. A par de uma crescente crise política, vivia-se um mal-estar social generalizado, exponenciado por uma crise económica que culminou na derrocada financeira, compondo um quadro de catástrofe e ali- mentando uma vontade regeneradora, assim como as aspirações republicanas, como uma nova ordem alternativa ao per- curso decadente do país do qual a monar- quia não se podia apartar. 24 – FEBASE | outubro | 2018 O movimento revolucionário que partiu de pequenos grupos conspiradores, dos quais faziam parte oficiais e sargentos do exército e da marinha, alguns dirigentes civis e populares armados, iniciou a revo- lução republicana na madrugada de dia 4 de outubro. Apesar de alguma resistência e de vários confrontos militares, o exér- cito fiel à Monarquia acabou por dar-se por vencido. A Revolução saíra vitoriosa. Assim, na manhã do dia 5 de outubro de 1910, nas varandas da Câmara Municipal de Lisboa e pela voz de José Relvas, foi pro- clamada a República em Portugal, a se- gunda na Europa. Passados cento e oito anos sobre a efemé- ride, a evidência que os ideais da República, como a Liberdade, a Igualdade, a Dignidade da Pessoa Humana ou a Justiça, apesar de muito afirmados, são amiúde desrespeita- dos e traídos, mostra-nos o quanto há ainda por fazer nesta matéria. Realidade que, ousaria dizer, é transversal ao setor da banca, onde os trabalhadores estar disposto a terminar num caminho sem saída. Como disse um dia o Presidente ame- ricano John F. Kennedy, “Nunca nego- ciemos por medo, mas nunca tenhamos medo de negociar!” Nesta perspetiva, com um enfoque cons- tante naquilo que está em cima da mesa de negociações, deve continuar a contribuir construtivamente para encontrar uma via que conduza a um resultado justo e solidá- rio, embora com a consciência que poderá ter de vir a recorrer a uma maior pressão sobre a opinião pública, sem descartar quaisquer formas de luta, e fomentar, à se- melhança do que antecedeu este dia 5 de outubro em 1910, o crescimento de uma vontade de união e mobilização dos bancá- rios que mostre a força que podemos ter se todos quisermos muito defender os nossos direitos, e conseguir, assim, fazer sentir a voz de milhares de associados, no ativo e refor- mados, que há anos não veem qualquer au- mento salarial. Estou certo de que é com esta von- tade e determinação que o Sindicato dos Bancários do Centro reafirma estar ao lado dos bancários, na luta intransigente pela defesa dos seus direitos. w *Coordenador da CSE Grupo BCP e mem- bro do Conselho Editorial da Revista Febase