Revista ExpoAgro 2019 Revista ExpoAgro 2019 | Page 90
49ª EXPOAGRO ITAPETININGA
Jovens com pegada
Agrícola
O
coordenador do curso de Agronegócio da Fatec
de Itapetininga, engenheiro agrônomo Fabio
Albuquerque Entelmann, aponta que os jovens
trazem uma pegada agrícola que irão influenciar
o dinamismo no campo. Ele avalia que os estudantes em
que a família tem tradição na agricultura, seus pais preferem
manter os tipos de cultivo agrícola para garantir a estabili-
dade financeira. Esta acomodação é fruto de conhecer todo
o processo de cultivo, a tecnologia necessária, o mercado e
a rentabilidade.
Estes jovens são oriundos das universidades, Fatecs e Etecs
que fazem uma nova leitura da agricultura nacional. O co-
ordenador aponta seu próprio exemplo. Ele plantou a fruta
Macadâmia que trouxe novos ganhos financeiros. “É mais
interessante já que são três meses de safra por ano, é mais
rentável e não necessita de grandes áreas para o cultivo”,
acrescenta. O fruto, de origem australiana, é uma noz com
forte poder nutritivo e benéfico à saúde. Sua área mínima,
conforme o engenheiro agrônomo, é de 10 hectares.
Entelmann esclarece que esta acomodação não é exclusi-
vidade de Itapetininga, mas acontece em todo o território
nacional. Há pequenas alternâncias. “Ocorre em qualquer
município. O produtor rural é estático sob o ponto de vista
da variedade. Dificilmente ele muda o cultivo em sua proprie-
dade.” Como qualquer empresário urbano, o agricultor busca
meios de comercialização de seu produto. “O produtor quer
ter a certeza que irá vender sua safra.”
“O olhar diferente dos jovens para outros cultivos e novas
formas de rentabilidade trarão novas dinâmicas no campo”,
acredita. Em sua avaliação, as mudanças também irão ocorrer
se houver um fato externo que gere demanda, como a vinda
de empresa que necessita de matéria-prima. “Empresa que se
instale na fabricação de suco de morango mudará o cenário
de diversas propriedades. É uma nova dinâmica”, afirma o
engenheiro agrônomo.
De acordo com Entelmann, a dependência de investimento
de grandes empresas nacionais ou internacionais para mu-
dar o quadro na agricultura local também explica a situação
estática. A mais recente mudança na lavoura foi a demanda
chinesa por soja. Isso mudou tanto o volume de plantio em
90 ExpoAgro I 2019
Itapetininga como diversos municípios brasileiros. O enge-
nheiro afirma que a soja oferece a venda certa com razoável
retorno financeiro.
“Porém, ainda não temos o espírito empreendedor de inovar”,
diz o coordenador, por isso sempre esperamos a vinda de
grandes empresas para mudar o quadro. Recentemente, um
grande laticínio se instalou na cidade, espera-se uma parce-
ria entre a empresa e os pecuaristas para que seja absorvida
a produção interna. A maior parte do fornecimento ainda é
importada de outros municípios.
Apesar de Itapetininga ocupar a 2ª posição no ranking paulista
na produção de laranja, ainda não conseguiu a instalação de
uma fábrica de suco do fruto. O engenheiro explica que toda
a safra vai para municípios que produzem o suco para depois
seguir para exportação. São unidades fabris localizadas em
cidades mais distantes que Itapetininga da zona portuária.
O produto encarece devido à logística. Estamos diante do
comodismo da empresa. “Ainda não se justificou desmontar
uma planta industrial para trazer para cá”, analisa.
Frutas e Clima
Itapetininga tem um clima favorável à fruticultura, enaltece
o coordenador do curso de Agronegócio da Fatec. Isso deve
favorecer no futuro a agricultura. Sua avaliação se justifica
pela localização de Itapetininga que está, de um lado, entre
regiões mais quentes como Sorocaba e Campinas e, de ou-
tro lado, regiões frias como Paraná. O clima é ameno, com o
inverno seco, porém não enfrenta déficit hídrico. “Não falta
água, por isso a planta resiste melhor. Não há queda na pro-
dutividade”, destaca.
Neste sentido, Itapetininga apresenta um potencial natural
para o desenvolvimento da fruticultura de diversas varieda-
des, conta o coordenador. Embora, a fruta leve em média de
três a quatro anos para iniciar a produção. “Fruta é como uma
arte depende de um acompanhamento diário e mais cuida-
do.” Já quem prefere a soja ou o milho, conta o engenheiro,
é semelhante a “uma linha de produção”. De acordo com o
especialista, o tipo de plantio se ajusta ao perfil do produtor.
Estes novos cultivos ou sua ampliação dependem do mercado.
“Basta ter demanda que o produtor planta”, finaliza.