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49ª EXPOAGRO ITAPETININGA Jovens com pegada Agrícola O coordenador do curso de Agronegócio da Fatec de Itapetininga, engenheiro agrônomo Fabio Albuquerque Entelmann, aponta que os jovens trazem uma pegada agrícola que irão influenciar o dinamismo no campo. Ele avalia que os estudantes em que a família tem tradição na agricultura, seus pais preferem manter os tipos de cultivo agrícola para garantir a estabili- dade financeira. Esta acomodação é fruto de conhecer todo o processo de cultivo, a tecnologia necessária, o mercado e a rentabilidade. Estes jovens são oriundos das universidades, Fatecs e Etecs que fazem uma nova leitura da agricultura nacional. O co- ordenador aponta seu próprio exemplo. Ele plantou a fruta Macadâmia que trouxe novos ganhos financeiros. “É mais interessante já que são três meses de safra por ano, é mais rentável e não necessita de grandes áreas para o cultivo”, acrescenta. O fruto, de origem australiana, é uma noz com forte poder nutritivo e benéfico à saúde. Sua área mínima, conforme o engenheiro agrônomo, é de 10 hectares. Entelmann esclarece que esta acomodação não é exclusi- vidade de Itapetininga, mas acontece em todo o território nacional. Há pequenas alternâncias. “Ocorre em qualquer município. O produtor rural é estático sob o ponto de vista da variedade. Dificilmente ele muda o cultivo em sua proprie- dade.” Como qualquer empresário urbano, o agricultor busca meios de comercialização de seu produto. “O produtor quer ter a certeza que irá vender sua safra.” “O olhar diferente dos jovens para outros cultivos e novas formas de rentabilidade trarão novas dinâmicas no campo”, acredita. Em sua avaliação, as mudanças também irão ocorrer se houver um fato externo que gere demanda, como a vinda de empresa que necessita de matéria-prima. “Empresa que se instale na fabricação de suco de morango mudará o cenário de diversas propriedades. É uma nova dinâmica”, afirma o engenheiro agrônomo. De acordo com Entelmann, a dependência de investimento de grandes empresas nacionais ou internacionais para mu- dar o quadro na agricultura local também explica a situação estática. A mais recente mudança na lavoura foi a demanda chinesa por soja. Isso mudou tanto o volume de plantio em 90 ExpoAgro I 2019 Itapetininga como diversos municípios brasileiros. O enge- nheiro afirma que a soja oferece a venda certa com razoável retorno financeiro. “Porém, ainda não temos o espírito empreendedor de inovar”, diz o coordenador, por isso sempre esperamos a vinda de grandes empresas para mudar o quadro. Recentemente, um grande laticínio se instalou na cidade, espera-se uma parce- ria entre a empresa e os pecuaristas para que seja absorvida a produção interna. A maior parte do fornecimento ainda é importada de outros municípios. Apesar de Itapetininga ocupar a 2ª posição no ranking paulista na produção de laranja, ainda não conseguiu a instalação de uma fábrica de suco do fruto. O engenheiro explica que toda a safra vai para municípios que produzem o suco para depois seguir para exportação. São unidades fabris localizadas em cidades mais distantes que Itapetininga da zona portuária. O produto encarece devido à logística. Estamos diante do comodismo da empresa. “Ainda não se justificou desmontar uma planta industrial para trazer para cá”, analisa. Frutas e Clima Itapetininga tem um clima favorável à fruticultura, enaltece o coordenador do curso de Agronegócio da Fatec. Isso deve favorecer no futuro a agricultura. Sua avaliação se justifica pela localização de Itapetininga que está, de um lado, entre regiões mais quentes como Sorocaba e Campinas e, de ou- tro lado, regiões frias como Paraná. O clima é ameno, com o inverno seco, porém não enfrenta déficit hídrico. “Não falta água, por isso a planta resiste melhor. Não há queda na pro- dutividade”, destaca. Neste sentido, Itapetininga apresenta um potencial natural para o desenvolvimento da fruticultura de diversas varieda- des, conta o coordenador. Embora, a fruta leve em média de três a quatro anos para iniciar a produção. “Fruta é como uma arte depende de um acompanhamento diário e mais cuida- do.” Já quem prefere a soja ou o milho, conta o engenheiro, é semelhante a “uma linha de produção”. De acordo com o especialista, o tipo de plantio se ajusta ao perfil do produtor. Estes novos cultivos ou sua ampliação dependem do mercado. “Basta ter demanda que o produtor planta”, finaliza.