REVISTA EQUALIZE - Nº 0 Revista TCC VERSÃO DIGITAL | Page 48

O QUE O TITIO PENSA SOBRE... PERFUMARIA Abandonei o jornalismo porque não me identifico com nada do que está aí. É por isso que hoje faço entretenimento. Jamais vou ser o porta-voz do que essas pessoas querem que a gente seja. Eu não ouço rádio. Dublo filmes, séries e desenhos o dia todo e venho aqui fazer entretenimento. Aqui é per- fumaria, pão e circo. Venha se divertir sem pensar muito. Se você quiser pensar, vamos conversar em outro lugar e falar sobre Nietzche e o caralho a quatro. Aqui não dá. É triste. Eu também leio sobre física quântica, que eu amo. Além do rock. Que aí eu consigo brincar com as possibilidades, para ver se eu clico em algum pop up imaginário e saio em Nárnia para esquecer desse Brasil triste em que estamos vivendo. CRIANDO FANTOCHES A imprensa está lamentável. A grande imprensa, essa “bosta” dessas seis famílias, que dominam tudo, é lamentável. Eu não vejo o Jornal Nacional há muitos anos, graças a Deus. Mas, às vezes, quando estou almoçando no quilo, pego um Jornal Hoje e tento não ver para não me contaminar, porque eu quero pensar. Hoje nós temos um exército de fantoches, no meu ponto de vista, que seguem o que eles dizem. Eu tento fazer a minha parte e ser um contraponto nessa imprensa ordinária, suja e marrom que nós te- mos. Espero que a nova geração venha para fazer a diferença para que nós não tenhamos mais Willian Waacks e Sherazades aí amanhã, leitores de teleprompter, imbecis que não sabem nada. LADO B O Chorão, por exemplo, era um cara necessário. Claro que não pela agressividade. Era muito estoura- do. Lembro quando ele quebrou o nariz do Marcelo Camelo, do Los Hermanos, uma banda chatíssima. Mas nada justifica agressão. Tirando isso, esse ponto explosivo dele, um cara absolutamente necessário. Somos feios, sujos e malvados, não precisamos estar enquadrados em porra nenhuma! Que bom que tem gente assim, porque é preciso haver contrastes, senão ficaria um exército de playmobil pela rua, só mudaria a peruquinha, eu morreria de tédio. Eu iria morrer para fugir dessa “Lucianohucksação”, a antítese de tudo o que eu acredito. As crianças precisam conhecer todos os lados, até o underground. FRISSON Eu curto me surpreender, porque o feijão com arroz já conheço. Mas a música boa é aquela que me sur- preende e me causa um frisson. Porque a música tem esse poder. Me sinto, às vezes, um Halls preto, de- pendendo do som. Tem que ser sensorial de alguma forma, não importa o estilo. Porque é incrível como a música é sensorial e a nossa memória é associativa. Outro dia, estava tocando um sertanejo bem raiz, que imediatamente me veio o cheiro do bolo de fubá que a minha tia assava no sítio do meu tio. É uma coisa quase mediúnica isso, né? Agora com esse rockinho tradicional? Com os Ultrajes da vida... É ultrajante! Aí não me faz nada, me brocha. É uma brochação que nenhum azulzinho consegue reverter. O BOM E VELHO ROCK O rock ficou reaça demais, virou lugar dessa gente esquecida por Deus e pelo diabo vomitando ódio nas redes sociais. Não consigo mais ouvir alguns, esse é um defeito que eu tenho. Teria que ser isento. Mas, num país onde nem juiz é isento, quem sou eu para ser? Sou passional mesmo, sou pisciano! Se eu pego bode eu não consigo. O Ultrage a Rigor, por exemplo, não iria nem que me pagassem. Porque virou uma banda de assistentes de palco, de um fascistinha, de um programa de quinta categoria, numa emissora que não preciso nem falar. Enfim, o rock é o que eu vivo, é o que me move e ocupa 80% do meu setlist. Mas, pelos gigantes por quem ainda estou acostumado. É difícil gostar do novo. 48 EQUALIZE