REVISTA EQUALIZE - Nº 0 Revista TCC VERSÃO DIGITAL | Page 45

esteja fazendo, sempre vão sexualizar e perguntar “por que você não mostra mais?”. Luta O machismo não vai sumir da nossa sociedade de um dia para o outro. É preciso luta. É preciso muito incentivo. É preciso resistir. As mulheres têm que apoiar umas às outras, abrindo espaços em cima do palco e por trás dele. Hoje as mulheres ocupam espaço no backstage (fora do palco). Tem mulher fazendo roadagem, monitor, há engenheiras de áudio, empresárias, pro- dutoras. Mulheres de todo tipo, em todos os nichos e funções, é preciso confiar na capacidade delas. As mulheres que já ganharam espaço também têm responsabilidades: precisam querer trabalhar com mulheres. “Pega a sua playlist no Spotify, tá ligado? Quantas artistas mulheres você escuta? É muito bonito a gente ficar falando sobre isso aqui. Falando, falando e sempre falando... Mas a galera tem que ter atitude”, levanta Helena Papini. Pode parecer que não, mas representatividade importa, e muito. “Já teve casos de meninas chega- Iracema Almeida, 25 anos, baixo Banda Timeless Helena Papini, 32 anos baixo e vocal Bandas Bula, Triácida e Urbana Legion Yasmin Cruz, 20 anos, vocal Banda Gattai rem para a gente e falar ‘nossa, vocês me inspiraram’. Então, ali, tudo vale a pena, sabe? É um momento que vale a pena cada treta que você passa, porque você vê que alguém está dando valor. Não estão só olhando de uma maneira errônea. Estou fazendo a diferença para alguém”, enfatiza Iracema Almeida. Yasmim Cruz completa: “Querendo ou não, a gente cresce só vendo homens cantando e tocando guitarra. Então quando a gente vê uma mina no palco, a gente se identifica e fica com mais força de querer fazer aquilo. Inspira a ocupar mais espaço e cada vez ter mais mais minazinha em bandas”. Não existe isso de que mulheres juntas não dá certo, que é muito hormônio, que as mulheres vão se matar. Porque dá. Dá muito certo. Têm cada vez mais mu- lheres se juntando, fazendo coisas, trabalhando juntas, e provando que isso não existe. Helena Papini dá a letra: “a gente pode muito bem fazer muitas coisas juntas e eu espero que cada vez mais esse universo se expanda. Para a gente poder ter realmente uma situ- ação de igualdade algum dia. Mostrar atitude rock n’ roll. Ser rock n’ roll é desrespeitar as pessoas? Pelo amor de Deus! Não pode ser né, velho?”. Vivemos em uma sociedade tão machista que as próprias mulheres precisam se desconstruir ao longo da vida. Girl Power! Em 2015 eu fiz um show com a Bula no Lollapalooza, e quando terminou o show, perguntaram: ‘ah, e aí, como é que é ser uma mulher na banda?’ e eu falei ‘ah, é legal, porque os caras são gente fina, eles são muito legais, me respeitam e eu acho massa ser a única mulher da banda. In- clusive, eu nem gostaria que tivesse outra, porque eu quero ser para sempre a única mulher da banda’. Depois de uns dois anos me convidaram pra participar de uma mesa parecida com essa, na Expo Music, sobre mulheres na música e eu estava con- versando com a minha namorada, e antes de ir, ela me falou assim: ‘nunca mais fala aquilo que você falou no Lollapalooza, que não queria que outra mulher tocasse com você! Você não pode dizer isso! Você tem que querer outras mulheres tocando. Você tem que incentivar que as mulheres toquem. Na sua banda ou em qualquer outra banda’. Sacou? Helena Papini " "