Revista Elas nov. 2019 | Page 8

fim aos 72 anos de luta intensa e influenciando outros movimentos sufragistas em diversos lugares do mundo. Dessa forma, no final da década de 1940, Simone de Beauvoir (1908-1986) uma escritora francesa, publica o livro “O segundo sexo”, o qual traz novos questionamentos sobre os condicionamentos que a mulher sofre em sua socialização, principalmente em relação à cultura e as definições do que é “ser mulher”, ou seja, da construção da visão sobre o que é feminino e masculino e quais são os papeis de gênero na sociedade. O fim da primeira onda é marcado pela publicação deste livro, e tantos outros, que serviram de base para o início da segunda onda do movimento. opressão da mulher, a sexualidade, a cons- trução cultural de gênero e dominação. As reivindicações eram focadas nas relações de poder entre homens e mulheres, trazendo o debate a discriminação, as desigualdades cul- turais e as estruturas sexistas. Também é nesse período que o movi- mento feminista se inicia a discussão sobre a liberdade sexual da mulher e o aborto. Ou- tra discussão iniciada pelas feministas, neste período, foi em relação à maternidade enquanto vontade da mulher, ou seja, a mulher deve ter a liberdade de de- cidir se quer ou não ter filhos, bem como o momento e a forma com que quer tê-los A terceira onda A terceira onda começou no início dos anos 1990, quando as feministas pas- saram a questionar o próprio movimen- Por conta da efervescência to, uma vez que os estudos feministas e guerra e da necessidade da saída dos até mesmo, as próprias lutas, represen- homens para servirem, a participação da tavam apenas as mulheres brancas e da mulher na esfera do trabalho é muito va- classe média, pois se atentavam somente lorizada. No entanto, com o retorno dos para às experiências das mesmas. homens após a guerra, a ideia de diferen- Nesse sentido, o feminismo ciação dos papéis por sexo é retomada e passa por um processo de desconstrução é atribuído à mulher o espaço domésti- “universal” da mulher, ou seja, passa a co, ou seja, é retomada a ideia de que o combater a ideia de que todas as mulheres lugar da mulher é em casa, uma vez que são iguais e que todas as mulheres, inde- elas deveriam se retirar e ceder seu lu- pendente da sua classe e raça, vivem os gar ao homem no mercado de trabalho. mesmos problemas, e estão expostas à A segunda onda inicia-se no contexto da Segunda Guerra Mundial (1939- Imagem: rawpixel.com mesma forma de opressão. Além disso, essa vertente re- 1945), principalmente, no período conhece a pluralidade feminina e contribuiu pós-guerra. Neste momento, algumas para o desenvolvimento de vertentes que re- reivindicações já haviam sido atendidas: presentassem e considerassem as particulari- tinham direito ao voto e o direito a se dades e especificidade de cada uma como a candidatarem e podiam trabalhar e estudar. classe, a raça, o país ou região de origem e a O movimento feminista, na segunda sexualidade e afins. onda, passa a abordar pautas relacionadas à 0 8 A segunda onda