“
São tempos difíceis... Tantas responsabilidades, trabalho, casa, filhos, companheiros (e, às ve-
zes, nem tão companheiros assim), problemas com dinheiro, enfim, como é que a gente se
encontra no meio de tanta coisa? Em que momento conseguimos acessar essa energia do Sagrado
que habita em nós a fim de nos recompor? Dentro de uma família, nós somos o pilar da casa, a
estrutura forte e doce que gera, cria, educa e, às vezes, muitas de nós, mesmo sem ter uma família,
ancora a energia de muitos a quem dispensa esses cuidados em geral. São eles: mãe, pai, sobri-
nhos, irmãos e por aí vai...Dentro de toda essa engrenagem que nos consome tempo e energia, é
imperativo que achemos um meio para ativar em nós esse amor, essa força, essa coragem para
que possamos seguir dentro do nosso propósito Divino. E o amor começa por nós! Começa em
acolher-nos, começa em ativar o nosso poder, a nossa intuição. Precisamos nos unir para que pos-
samos nos apoiar, emprestar um ombro amigo, um cuidado, um chá, um sorriso. Coisas simples,
mas de muita diferença. Precisamos nos apoiar para trazer mais consciência da nossa capacidade
de criarmos tudo o que quisermos. E, sim, somos mulheres! E, sim, somos Deusas! E, sim, somos
bruxas e curandeiras! E, sim, somos UMA! E, sim, nossa força é de amor, cura e vida! Mulheres
tomem ciência do tamanho do seu ser!
“
“Com a força de todas é que vamos continuar caminhando e lutando. Ser mulher não é fácil.
Começo meu texto com essa frase, porque só quem é mulher sabe sobre o que estou falando.
Quando identificam o “XX” já começamos a sofrer. São os comentários dos amigos de papai,
são o olhar de decepção de vovô que não terá o netão para jogar bola. Ser mulher não é fácil. Na
adolescência, nos ensinam a não provocarmos os garotos. Lembro da primeira vez que senti o que
era o machismo. Fui chamada na sala da diretora por usar calça legging e não aderir ao sutiã: “os
seus seios estão crescendo, os meninos olham, você precisa entender que usar legging os provoca,
porque eles são garotos, entenda a fase deles”. Eu era uma garota, aos 11 anos, eu realmente ainda
era uma criança. Crescer sendo mulher não é fácil. Os assédios na rua se tornaram constantes. O
medo tomou conta de mim quando escutava a notícia de que mais uma de nós tinha sido agredida
sexualmente. Ser mulher não é fácil. Passei na faculdade que grande parte das pessoas almeja em
sua época de vestibular, mas, mudar para São Paulo, me assustava e, não, eu não estava exageran-
do, como disse. Na minha terceira semana nessa cidade, eu já sentia ainda mais o que é ser mulher
na capital que não para. O assédio aqui também não para, homens se sentem ainda mais donos
de nós, no direito de nos olhar. Foi então que um carro parou na esquina da minha nova casa e
me esperou. Só quem é mulher sabe o quão nosso coração acelera nessa hora. Ufa, escapei! Até
quando? Só ando com um amigo agora, porque homens respeitam homens. É normal, né? “Coisa
de homem”. Não é fácil ser mulher. Digo isso e posso afirmar, mas vamos juntas!”
Sabrina, 21, São Paulo, SP
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Diagramação
Claudia Silva, 45, Pederneiras, SP
Dirigente do Instituto Xamânico Céu dos Colibris