Frida
Mulheres na História:
o caso Marielle Franco
O
A figura eternizada presente em lutas e direitos
assassinato da deputada estadual pelo
PSOL do Rio de Janeiro e seu moto-
rista, até o fechamento desta primeira
edição, completará mais de 600 dias sem res-
postas. Assassinados de forma brutal a tiros na
capital carioca no dia 14 de março de 2018,
Marielle Franco e seu motorista Anderson
Gomes se transformaram em símbolos após
o atentado. Não existe outro nome para o que
aconteceu. Isso é execução, terrorismo.
“A Marielle representa 500 anos de his-
tória de luta das mulheres negras e das mulhe-
res em geral, porque existe a opressão de gêne-
ro e de raça, porque o tratamento das mulheres
negras e brancas são diferentes em diversos
ambientes. É isso que ela representa”, comenta
o estudante Vinicius Amorim Prado, do 4º ano
do curso de história da UNESP - Franca.
A lentidão da justiça em dar maiores in-
dícios e resoluções para o caso chama atenção
daqueles que estão até hoje indignados com o
que aconteceu. A Revista Elas conversou com
a estudante de direito Letícia Dezorzi, da PU-
C-SP, para tentar respostas: “Uma justificativa
legal não existe. Existe o adiamento dos prazos
da investigação pedidos pelo delegado, porque
não há um indiciado certo ainda. O Ministé-
rio Público precisa dos indícios de autoria e
da materialidade para ficar convicto e oferecer
uma denúncia para a aceitação do juiz”.
Ainda sobre o caso, Letícia complemen-
ta sobre o simbolismo do caso: “O assassinato
Victor Zamberlan
da Marielle e do Anderson foi uma afronta
ao direito na medida em que ele defende a
democracia. A democracia está prevista na
constituição e a Marielle morreu por defender
coisas que denunciavam os miliciantes. Pau-
tas e temas que incomodavam muita gente”.
Marielle nos deixou de forma trágica e
agora está em bandeiras da luta das mulhe-
res e dos movimentos sociais pelo Brasil.
Marielle foi uma ideia e assim ela continuará
ecoando. “Nós precisamos sempre reivindi-
car essas pessoas, porque é a partir delas que
a gente passa a estimular debates, estimular
símbolos de resistências, de lutas.”, conta Vi-
nicius. “O que a morte da Marielle significa?
Significa a maneira como o Estado Brasileiro
sempre tratou as mulheres negras e mesmo
uma pessoa que vem da periferia, é negra, é
mulher e que compõe o espaço institucional
que é excludente para as mulheres em geral,
historicamente, o que o Estado Brasileiro
faz? O Estado Brasileiro extermina.”, com-
plenta o estudante de história.
A Revista Elas lamenta ter que trazer
em sua primeira edição o caso de alguém
que teve sua voz silenciada pelas armas,
corrupção, pela anti-democracia, pelas feri-
das que este país ainda carrega da ditadura.
Justiça seja feita. Marielle ecoará.
Mariel l e, pres ente !
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