Revista Elas nov. 2019 | Page 17

Frida Mulheres na História: o caso Marielle Franco O A figura eternizada presente em lutas e direitos assassinato da deputada estadual pelo PSOL do Rio de Janeiro e seu moto- rista, até o fechamento desta primeira edição, completará mais de 600 dias sem res- postas. Assassinados de forma brutal a tiros na capital carioca no dia 14 de março de 2018, Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes se transformaram em símbolos após o atentado. Não existe outro nome para o que aconteceu. Isso é execução, terrorismo. “A Marielle representa 500 anos de his- tória de luta das mulheres negras e das mulhe- res em geral, porque existe a opressão de gêne- ro e de raça, porque o tratamento das mulheres negras e brancas são diferentes em diversos ambientes. É isso que ela representa”, comenta o estudante Vinicius Amorim Prado, do 4º ano do curso de história da UNESP - Franca. A lentidão da justiça em dar maiores in- dícios e resoluções para o caso chama atenção daqueles que estão até hoje indignados com o que aconteceu. A Revista Elas conversou com a estudante de direito Letícia Dezorzi, da PU- C-SP, para tentar respostas: “Uma justificativa legal não existe. Existe o adiamento dos prazos da investigação pedidos pelo delegado, porque não há um indiciado certo ainda. O Ministé- rio Público precisa dos indícios de autoria e da materialidade para ficar convicto e oferecer uma denúncia para a aceitação do juiz”. Ainda sobre o caso, Letícia complemen- ta sobre o simbolismo do caso: “O assassinato Victor Zamberlan da Marielle e do Anderson foi uma afronta ao direito na medida em que ele defende a democracia. A democracia está prevista na constituição e a Marielle morreu por defender coisas que denunciavam os miliciantes. Pau- tas e temas que incomodavam muita gente”. Marielle nos deixou de forma trágica e agora está em bandeiras da luta das mulhe- res e dos movimentos sociais pelo Brasil. Marielle foi uma ideia e assim ela continuará ecoando. “Nós precisamos sempre reivindi- car essas pessoas, porque é a partir delas que a gente passa a estimular debates, estimular símbolos de resistências, de lutas.”, conta Vi- nicius. “O que a morte da Marielle significa? Significa a maneira como o Estado Brasileiro sempre tratou as mulheres negras e mesmo uma pessoa que vem da periferia, é negra, é mulher e que compõe o espaço institucional que é excludente para as mulheres em geral, historicamente, o que o Estado Brasileiro faz? O Estado Brasileiro extermina.”, com- plenta o estudante de história. A Revista Elas lamenta ter que trazer em sua primeira edição o caso de alguém que teve sua voz silenciada pelas armas, corrupção, pela anti-democracia, pelas feri- das que este país ainda carrega da ditadura. Justiça seja feita. Marielle ecoará. Mariel l e, pres ente ! 1 7